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Cuba/EUA: meio século de gelo derrete com um aperto de mão

Em dezembro passado, os estudantes de Havana exteriorizaram a sua alegria depois do anúncio da aproximação entre Cuba e os Estados Unidos. Os dois

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Cuba/EUA: meio século de gelo derrete com um aperto de mão

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Em dezembro passado, os estudantes de Havana exteriorizaram a sua alegria depois do anúncio da aproximação entre Cuba e os Estados Unidos. Os dois países restabeleceram relações diplomáticas, depois de 50 anos de antagonismo político.

Em 1959, como líder da guerrilha dos jovens barbudos, Fidel Castro surpreendeu o mundo ao derrotar a ditadura do general Fulgêncio Batista.

As relações com os Estados Unidos deterioram-se mais ainda, quando Castro deu início à expropriação das culturas e fábricas das empresas norte-americanas. Abertamente comunista e anti-americano, o governo cubano entrou na esfera política da União Soviética de Nikita Kruschév (uns anos depois, cubanos e russos lutaram, em Angola, contra o regime colonial português).

Washington tentou fazer cair Castro e, várias vezes, atentar contra a sua vida. Em 1961, começou pelo episódio desastroso da Baía dos Porcos: John Fitzgerald Kennedy autorizou o plano de invasão do sul de Cuba a um grupo paramilitar de 1500 exilados cubanos anticastristas, treinado e dirigido pela CIA, com o apoio do exército. Mas, depois de três dias de batalha contra as forças de Castro, treinadas no Bloco de leste, a derrota foi humilhante: 118 mortos e 1200 prisioneiros do lado norte-americano.

Cuba e Estados Unidos da América passaram, abertamente, a ser inimigos.

Em 1962 o presidente Kennedy impôs o embargo que continua em vigor, e no final desse ano, a crise dos mísseis colocou os dois países à beira de uma guerra nuclear.

Quando os norte-americanos descobriram mísseis soviéticos em Cuba, Washington preparou-se para ripostar. Com a tensão ao rubro, a União Soviética aceitou retirá-los contra a promessa de Washington de não atacar.

No entanto, os problemas maiores de Cuba foram causados pelos amigos de Leste: com a desintegração da União Soviética, os cubanos deixaram de poder exportar os seu produtos agrícolas e toda a maquinaria industral deixada pelos soviéticos ficou ao abandono e a crise instalou-se. O nível de vida baixou e os cubanos tiveram de apostar no turismo, apesar de manterem o modelo comunista…agora mais aberto.

No entanto, os fugitivos em balsas (os balseiros), arriscavam diariamente a vida para chegar à Florida. Um dos casos emblemáticos (entre 1999 e 2000), foi o do pequeno Elián González, a quem a mãe morreu quando tentava imigrar da ilha.

Os sinais de distensão apareceram nos últimos anos, até ao histórico aperto de mão de Barack Obama e de Raul Castro, em dezembro de 2013, no Soweto, no funeral de Nelson Mandela. Ficou como símbolo anunciado de uma nova era.

Um ano depois, o intercâmbio de prisioneiros e a suavização do embargo decretou o fim das hostilidades.