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Debaltseve: as memórias de quem sobreviveu

Há cerca de um mês a cidade de Debaltseve, no leste da Ucrânia estava debaixo de fogo. O resultado está à vista. Os combates entre os separatistas

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Debaltseve: as memórias de quem sobreviveu

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Há cerca de um mês a cidade de Debaltseve, no leste da Ucrânia estava debaixo de fogo.

O resultado está à vista. Os combates entre os separatistas pró-russos e as forças governamentais ucranianas começaram em meados de janeiro. Os que escaparam aos bombardeamentos descrevem um autêntico pesadelo

“Sobrevivemos, mas é impossível descrever a experiência. No início quando me podia esconder na cave sentava-me ali a tremer de medo enquanto continuavam os bombardeamentos” afirma Nadezhda Ignatenko.

A cidade foi bombardeada durante um mês. Os separatistas pró-russos que, desde há três semanas, assumem o controlo de Debaltseve distribuem diariamente pão aos habitantes, o único alimento a que famílias inteiras têm acesso.

Um dos principais hospitais da cidade reabriu portas há uma semana mesmo sem água canalizada ou aquecimento central. Nada que assuste quem passou por experiências traumatizantes.

“Havia corpos por todo o lado e cães estavam a comê-los. Era impossível tirá-los dali” afirma Nataliya Maslova de 62 anos.

Memórias que os habitantes de Debaltesve – um importante nó ferroviário entre Donetsk e Lugansk – dificilmente vão esquecer.

Os intensos bombardeamentos impediram que as famílias enterrassem os mortos; as divergências políticas um entendimento para calar as armas.

“Já é o meu terceiro cessar-fogo. Terminam todas da mesma maneira: a reagrupar unidades e a reforçar posições” adianta um separatista pró-russo.

Os dirigentes das autoproclamadas republicas populares de Donetsk e Lugansk excluíram Debaltseve do mais recente acordo de cessar-fogo.