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Um avião anfíbio único e um robô para voltar a andar

Nesta edição, descobrimos um avião anfíbio único no mundo e um robô, que pode devolver a vítimas de paralisias.

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Um avião anfíbio único e um robô para voltar a andar

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Neste segundo episódio de Target – especial Japão, descobrimos um avião anfíbio, único no mundo.

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Se nos servirmos da vontade e desta tecnologia - e ligarmos tudo a um computador - poderemos tratar pessoas que sofrem de doenças como a esclerose lateral amiotrófica.

Utilizado pela marinha japonesa, o ShinMaywa é capaz de amarar e descolar em distâncias extremamente curtas: 330 metros para amarar e 280 metros para levantar voo. A aeronave consegue pousar mesmo com vagas de 3 metros no mar. O aparelho tem uma autonomia superior a 4500 km e é capaz de voar a velocidades muito baixas sem perder estabilidade. O segredo: um quinto motor, uma turbina colocada na parte superior da asa.

“É uma turbina que gera ar quente. O ar comprimido é injectado sobre as asas e a cauda. Isso cria um vácuo – é o que chamamos de controlo da camada limite em mecânica dos fluidos. Isso cola literalmente o avião ao ar, como uma ventosa”, explica o representante europeu da aeronave.

Uma versão do ShinMaywa para combater incêndios está actualmente em testes. O aparelho terá capacidade para transportar até 15 toneladas de água, três vezes mais do que o Canadair, por exemplo. Um modelo que poderá interessar à Europa e que pode vir a ser produzido brevemente na Alemanha e em França.

Este avião, com toda a sua tecnologia, é mais uma prova que a electrónica japonesa é muito mais do que simplesmente lúdica ou recreativa. Desde que foi inventado, há 40 anos, este avião anfíbio já permitiu salvar mais de 1000 vidas nos mares do Japão, segundo o ministério da Defesa.

HAL: O robô que pode devolver o andar a vítimas de paralisia

Outra jóia da tecnologia japonesa é o robô cibernético HAL. Este exosqueleto permite melhorar a qualidade de vida de pacientes que perderam mobilidade, seja por causa de um AVC ou em resultado de lesões na medula espinal.

“Quando o cérebro dá a ordem para executar um movimento, o comando chega às extremidades. Nós instalamos detectores na pele que processam estes sinais. De facto, o robô funciona através da vontade dos humanos”, explica o criador do HAL, o professor Yoshiyuki Sankai.

Um terapeuta afirma que, “um dia, chegou aqui um paciente com poliomielite. Os outros hospitais não o podiam ajudar. Colocamos-lhe o robô e ele conseguiu levantar-se e andar. Isso marcou-me. Acredito piamente no potencial deste robô”.

O HAL é actualmente utilizado em 170 hospitais no Japão e em cerca de 60 instituições na Alemanha e Suécia. O seu criador espera entrar em breve no mercado norte-americano.

No futuro, a ideia é alargar o seu campo de utilização. Poderá vir a ser utilizado para mover cargas pesadas nas empresas, para ajudar idosos em casa e estão a ser estudadas novas aplicações médicas.

*“Se nos servirmos da vontade e desta tecnologia – e ligarmos tudo a um computador – poderemos tratar pessoas que sofrem de doenças como a esclerose lateral amiotrófica.

Pacientes que estão completamente paralisados poderiam dar ordens a um computador utilizando apenas a sua vontade, o cérebro, e assim conseguiriam voltar a comunicar. Esta tecnologia pode ajudar muito este tipo de pacientes”*, considera Yoshiyuki Sankai.

A tecnologia japonesa promete continuar a desenvolver soluções práticas e úteis para a vida da sociedade global.