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Otimismo no conflito turco-cipriota pode lançar federação do Chipre

O otimismo está a voltar ao Chipre com vista à retomada das negociações de paz com a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte, suspensas no

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Otimismo no conflito turco-cipriota pode lançar federação do Chipre

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O otimismo está a voltar ao Chipre com vista à retomada das negociações de paz com a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte, suspensas no ano passado após um novo conflito pelas reservas de gás natural na costa norte da ilha.

O Conselheiro das Nações Unidas (ONU) no Chipre, o norueguês Espen Barth Eide, é o espelho desse otimismo no retomar das conversas. “O meu principal objetivo consiste em alcançar um acordo estratégico, um compromisso. Acredito firmemente que 2015 será um ano decisivo”, afirmou Eide.

Chipre está dividido em dois desde 1974, ano em que a Turquia invadiu a ilha pelo norte, com apoio da Grécia e em resposta a um golpe militar.

A ONU estima que cerca de 165 mil cipriotas de origem grega foram, na altura, expulsos do norte para o sul. Em sentido inverso, seguiram cerca de 45 mil cipriotas de origem turca.

Em novembro do ano passado, os turco cipriotas assinalaram os 31 anos (1983) da autoproclamada República Turca de Chipre do Norte, que apenas é reconhecida internacionalmente por Ancara.

Com apoio da ONU, os cipriotas turcos e gregos têm vindo há décadas a tentar pôr fim a mais de 40 anos de divisão. Sem êxito.

Em abril de 2004, um plano desenhado por Kofi Annan, então secretário-geral da ONU, foi colocado a referendo em ambos os lados da ilha. Os turco cipriotas votaram “sim”. Os greco cipriotas, um “não” esmagador. A ilha continuava, assim, dividida quando Chipre aderiu à União Europeia em maio de 2004.

A esperança de acabar com a contenda reacendeu-se em 2008 quando foi derrubada a muralha que separava há décadas a República do Chipre da zona de segurança estabelecida pela ONU. Era um dos símbolos da divisão na ilha

Em fevereiro de 2014, após alguns anos de relações mais harmoniosas, os líderes das comunidades turcas e gregas no Chipre — respetivamente, Nicos Anastasiades e Derviş Eroğlu — expressaram o desejo conjunto de reunificar a ilha.

Mas as negociações foram interrompidas em outubro devido a uma disputa sobre as reservas naturais de hidrocarboneto ao largo da ilha. Os greco cipriotas acusaram a Turquia de estar a explorar indevidamente a sua zona económica exclusiva.

Ancara retirou os barcos de pesquisa das águas cipriotas e, desde então, as tensões acalmaram. Ambos os lados parecem estar, agora, prontos para retomar as negociações. Se se confirmarem, esta aproximação pode ser também um importante passo no acordo para a criação de uma federação do Chipre.