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100 anos de Galípoli: Princípe Carlos fala do passado, Erdogan aponta ao futuro

Os Príncipes Carlos e Harry, de Inglaterra, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, encabeçaram esta sexta-feira o arranque das cerimónias do

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100 anos de Galípoli: Princípe Carlos fala do passado, Erdogan aponta ao futuro

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Os Príncipes Carlos e Harry, de Inglaterra, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, encabeçaram esta sexta-feira o arranque das cerimónias do centenário da Batalha de Galípoli, cujo centenário se assinala, de facto, este sábado.

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Estamos prontos para cooperar e fazer deste um século de paz

Nos discursos de ocasião, o Príncipe Carlos cingiu-se ao passado, leu algumas histórias de soldados que terão vivido aquele marcante e sangrento episódio da Primeira Grande Guerra e lembrou os que tombaram.

“Estes homens vieram de todas as comunidades britânicas: de África, da Austrália, do Canadá, da Índia, da terra-mãe, da nova Zelândia e das remotas ilhas marítimas. Tiveram de dizer adeus a casa e oferecer as suas vidas à causa que defendíamos”, afirmou o representante da coroa britânica.

Horas antes, em Çanakkale, na outra margem do estreito dos Dardanelos, falou o Presidente turco. Reçep Tayyp Erdogan optou por apontar ao futuro. “Neste processo de tornar feridas comuns numa ferramenta de amizade, paz e amor sem gerar novos atritos, gostaria que Çanakkale se tornasse num exemplo para todas as nações”, afirmou o chefe de Estado turco, deixando, ainda, um apelo: “Estamos prontos para cooperar e fazer deste um século de paz.”

Este sábado, por fim, cabe à Austrália e à Nova Zelândia celebrarem na península de Galípoli o chamado dia ANZAC (sigla inglesa para a expressão Forças Armadas da Austrália e da Nova Zelândia).

Este é um dia muito especial para estes dois países da Oceânia, cujos soldados lutavam pela primeira vez pelas respetivas bandeiras e ali travaram um intenso combate a 25 de abril de 1915, quando tentavam desembarcar na costa de Galípoli, num local que entretanto se tornou destino de peregrinação.

Para assinalar o centenário da fatídica Batalha de Galípoli, os primeiros-ministros de ambos os países, o australiano Tony Abbott e o neozelandês John Key, deslocaram-se para o noroeste da Turquia. Este sábado, os dois vão encabeçar naquela mesma península uma celebração muito especial do dia ANZAC.

A Batalha de Galípoli resultou da tentativa das forças aliadas lideradas pelo Reino Unido, a França e o então Império da Rússia de invadirem o território do então Império Otomano, aliado dos impérios alemão e austro-húngaro e da Itália, e assumir o controlo sobre o estreito dos Dardanelos, um importante ponto estratégico entre a Ásia e a Europa.

O confronto foi violento e resultou em mais de 130 mortos. A grande maioria das baixas — cerca de 87 mil — no lado otomano, mas ainda assim a vitória foi para os aliados da Tríplice Aliança germânica. Foi um dos poucos sucessos conseguidos pelos otomanos, entre os quais, na altura, lutou um oficial de nome Mustafa Kemal Atatürk, que oito anos mais tarde viria a fundar a República da Turquia.