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Soldados russos capturados na Ucrânia acusados de terrorismo

Os dois soldados russos capturados em território ucraniano foram esta sexta-feira considerados, pelas autoridades da Ucrânia, oficialmente suspeitos

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Soldados russos capturados na Ucrânia acusados de terrorismo

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Os dois soldados russos capturados em território ucraniano foram esta sexta-feira considerados, pelas autoridades da Ucrânia, oficialmente suspeitos de atos de terrorismo, o que pode significar uma pena de 15 anos de prisão.

Segundo Kiev, os dois soldados, capturados numa área próxima do bastião separatista de Lugansk, faziam parte de uma unidade das Spetsnaz, as forças especiais russas. De acordo com as autoridades da Federação Russa, os dois homens não pertencem ao exército russo desde dezembro.

Ouvidos pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa no hospital militar de Kiev, onde estão a receber cuidados médicos, Aleksandr Aleksandrov e Yevgeny Yerofeyev afirmam ter entrado na Ucrânia integrados numa unidade militar russa com uma missão definida, apesar do desmentido oficial de Moscovo.

Segundo Michael Bociurkiv, porta-voz da OSCE, “ambos alegaram pertencer a uma unidade das Forças Armadas da Federação Russa, numa missão de reconhecimento, e que integraram já anteriores missões em território ucraniano”.

Este relato, publicado na quinta-feira pela OSCE, vem confirmar as conclusões de Kiev. A OSCE afirma que os dois homens foram entrevistados sem a presença das autoridades ucranianas.

Entrevistados pelo jornal russo Novaya Gazeta, os dois homens, mantiveram a mesma posição, manifestando-se dececionados com o facto de as autoridades da Federação Russa não assumirem a missão da qual foram incumbidos.

Entretando aumenta a distância nas relações entre os dois países – o parlamento da Ucrânia aprovou na quinta-feira a suspensão da cooperação militar com a Rússia.

Foram suspensos acordos bilaterais no âmbito da segurança e da defesa, entre os quais os que permitiam o transporte de cargas militares e de tropas de manutenção da paz russas para a Transdniestria, território situado entre a Ucrânia e a Moldávia.

Isto enquanto um relatório publicado na quarta-feira pela Amnistia Internacional denuncia a prática de crimes de guerra de ambos os lados do conflito, incluindo tortura e execuções sumárias de prisioneiros.

“Há casos de tortura e outras práticas graves, usadas muitas vezes por ambos os lados do conflito. São usados diferentes métodos: as pessoas são espancadas, presas com capuzes na cabeça, deixados assim, nalguns casos, por longos períodos. Por vezes, são pendurados do teto e torturados com choques eléctricos”, disse, numa conferência de imprensa em Kiev, o vice-diretor regional do Programa Europa e Ásia Central da Amnistia Internacional, Denis Krivosheev.