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União Económica Eurasiática: A resposta de leste à União Europeia

Esta semana, desvendamos o novo espaço comum euro-asiático, um projeto concebido por Rússia, Bilerrússia e o Cazaquistão, ao qual se juntaram Arménia e Quirguistão.

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União Económica Eurasiática: A resposta de leste à União Europeia

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A União Económica Eurasiática (UEE) foi concebida a três e ratificada no ano passado em Astana, capital do Cazaquistão. Tendo a Rússia como principal “motor”, este bloco de leste inclui ainda a Bielorrússia, o Cazaquistão, a Arménia e agora também o Quirguistão. São cinco antigas repúblicas soviéticas em busca de um espaço comum económico que rivalize com a União Europeia no mercado global.

Point of view

A criação de um mercado único de serviços e a livre circulação de mercadorias já estão implementados. Mas não podemos fazer balanços em menos de um ano. Seis meses não é suficiente

O projeto foi implementado em janeiro, já cumpriu os primeiros seis meses e está em destaque em Astana. “Este ano, cerca de dez mil de políticos, economistas e especialistas de todo o Mundo visitaram a capital do Cazaquistão para debater o presente e o futuro da integração Eurasiática”, reportou Maria Korenyuk, a enviada especial da euronews ao Forum Económico Astana 2015 .


Um dos temas em discussão este ano centrou-se nas oportunidades e riscos que se colocam aos países que aderem à União Económica Eurasiática. Para o Quirguistão, por exemplo, o quinto último país a aderir ao “bloco” até agora, a adesão não terá sido uma decisão fácil devido à dependência das exportações chinesas, as quais ficarão agora mais dispendiosas devido à natural prioridade dada à produção dos cinco Estados-membros.

“A era de comprar e vender está a tornar-se obsoleta. Há que dar espaço à indústria. Uma das vantagens da adesão à União Económica Eurasiática é que os nossos cidadãos a viver no estrangeiro vão poder usufruir de imediato de um novo estatuto oficial, com o qual deixam de precisar de um visto de trabalho. Outra vantagem, é que haverá uma integração e cooperação entre empresas do setor mineiro, do energético, etc…”, afirmou Zhirgalbek Sagynbaev, presidente do sindicato industrial e empresarial da República do Quirguistão.

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Posted by Евразийская экономическая комиссия on Quinta-feira, 21 de Maio de 2015


A nova aliança económica euro-asiática representa uma população a rondar os 180 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) conjunto de mais de 3,5 biliões de euros. Um mercado com este potencial pode ser atrativo ao investimento estrangeiro. Mas ainda é cedo para resultados.

“A criação de um mercado único de serviços e a livre circulação de mercadorias já estão implementados. Mas não podemos fazer balanços em menos de um ano. Seis meses não é suficiente para avaliar o fluxo dos investimentos ou o volume de negócios. Sobretudo, porque a criação da União Económica Eurasiática coincidiu com uma forte crise”, lembrou Timur Suleimenov, ministro para Política Económica e Financeira da Comissão Económica Eurasiática (CEE).

O lançamento da UEE coincidiu também com as duras sanções económicas aplicadas à Rússia pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Penalizações do ocidente que se ficaram a dever, sobretudo, à anexação não reconhecida da região ucraniana da Crimeia por Moscovo. A baixa no preço do petróleo também afetou as receitas russas e cazaques.

A desvalorização do rublo arrastou os preços nos produtos russos e isso afetou também a produção de outros países da UEE. Em particular, o Cazaquistão. “Muitos dos produtores cazaques não conseguem ser competitivos devido à desvalorização. Temos apelado ao nosso governo para ver esta situação como uma ameaça à segurança da economia, um caso de força maior, mas não queremos politizar a questão. Gostávamos também que fossem impostas algumas restrições temporárias às transações”, revelou Rakhim Oshakbayev, vice-presidente da câmara de empresários do Cazaquistão.

Em 2016, vão começar a ser levantadas as restrições à circulação de mercadorias no espaço comum eurasiático. Um acordo de cooperação está a ser preparado com o Vietname e o Tajiquistão pode vir a ser o sexto membro desta concorrente Eurasiática da União Europeia.

A UEE está a dar os primeiros passos e o otimismo é grande. De acordo com as previsões do Banco Mundial, à exceção da Rúsia, todos os Estados-membros da aliança económica eurasiática vão ver o PIB a crescer este ano e a tendência é para continuarem em ascensão em 2016. Mas a incerteza em torno do futuro da Rússia pode ser uma âncora bem pesada para a afirmação internacional, e em particular na Ásia, desta UEE. Talvez, por isso, Vladimir Putin já começou a “corte” para que Pequim se interesse pela união euro-asiática.