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Kosovo: cinco mil vestidos para denunciar violência sexual

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De  Nelson Pereira
Kosovo: cinco mil vestidos para denunciar violência sexual

<p>Cinco mil vestidos expostos no maior estádio de Pristina – uma exposição insólita em homenagem às mulheres violadas durante o conflito sérvio-kosovar, entre 1998 e 1999, foi inaugurada esta sexta-feira na capital do Kosovo.</p> <p>A artista autora desta exposição, Alketa Xhafa-Mripa, quis deste modo denunciar a prática de violências sexuais como arma de guerra e chamar a atenção para o drama das vítimas destas violações.</p> <p>“Estas mulheres não têm ajuda, nenhum apoio, não lhes é reconhecido um estatuto de vítimas. E por isso pensei dar o meu contributo como artista”, explicou.</p> <p>Para a artista, a exposição é um gesto de soldariedade com as vítimas e sobreviventes das violências sexuais cometidas durante a guerra. Por isso quis chamar-lhe “Penso em ti”.</p> <p>A exposição foi inaugurada esta sexta-feira. Entre os políticos presentes, esteve Atifete Jahjaga, a presidente do Kosovo.</p> <p>“Estamos aqui para recordar a dor destas mulheres, para reconhecer o que sofreram e para lhes dizer que não estão sozinhas.”, disse a chefe de estado kosovar.</p> <p>Nos anos 90, os Balcãs foram devastados por vários conflitos. Estima-se que entre 20 mil e 50 mil pessoas tenham sido vítimas de violências sexuais durante estas guerras.</p> <p>Maioritariamente albanês, o Kosovo tornou-se indendente da Sérvia em 2008. Numa sociedade tradicionalista, as vítimas de violação viveram um drama adicional, receando ser ostracizadas.</p> <p>Num <a href="http://www.refworld.org/cgi-bin/texis/vtx/rwmain?page=topic&tocid=4565c22538&toid=4565c25f449&docid=3ae6a87a0&skip=0">relatório</a> sobre as atrocidades cometidas durante o conflito no Kosovo, a organização internacional não-governamental Human Rights Watch concluiu que as violações não eram atos isolados, mas parte de uma estratégia das forças sérvias e jugoslavas com o intuito deliberado de terrorizar a população civil, extorquir dinheiro das famílias e forçar os habitantes de etnia albanesa a abandonar o Kosovo.</p>