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Grécia: Tsipras ameaça com eleições e Lagarde sublinha reestruturação da dívida

Com Alexis Tsipras a perder força no Syriza e a ameaçar com eleições antecipadas na Grécia, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI)

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Grécia: Tsipras ameaça com eleições e Lagarde sublinha reestruturação da dívida

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Com Alexis Tsipras a perder força no Syriza e a ameaçar com eleições antecipadas na Grécia, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) reafirmou esta quarta-feira a necessidade de uma reestruturação da dívida pública grega. Para Christine Lagarde esse será um dos suportes do terceiro programa de resgate a ser acordado com o Governo de Atenas.



Os gregos vivem, por estes dias, na incerteza do futuro, na certeza de que o amanhã será sempre difícil. A chefe da FMI defende que a receita para o melhor futuro possível para a Grécia passa por uma solução de… quatro pernas.

“Será necessário o financiamento suficiente para que o programa seja de facto credível, mas também a reestruturação da dívida, a qual vai permitir à economia grega andar, não necessariamente em duas pernas, mas em quatro: reformas fiscais, estruturais, financiamento e reestruturação da dívida”, disse Lagarde, numa conferência emitida pela internet a partir de Washington.



Sobre a oposição ao terceiro programa de resgate que se sente dentro do Governo grego, a antiga ministra das Finanças francesa considerou que “o barulho político é muitas vezes uma necessidade”. “Eu própria já estive na política e há muita coisa que se diz, mas o que importa no final do dia é o que é feito”, afirmou a diretora-geral do FMI.

Com uma delegação dos credores internacionais já em Atenas a negociar, o Governo liderado por Tsipras tem ainda outras “batalhas” por vencer. Nas duas últimas votações das reformas exigidas para se conseguir novo financiamento externo, o executivo perdeu a maioria parlamentar e, em parte, devido aos alegados rebeldes dentro do próprio partido do Governo, o Syriza.

“Se não tivermos a maioria parlamentar, seremos forçados a eleições”, ameaçou Tsipras, em entrevista à rádio Sto Kokkino, que é conotada com o Syriza. O primeiro-ministro continua, ainda assim, a tentar convencer os deputados do seu partido que se opõem ao acordo com a “quadriga” (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Mecanismo de Estabilidade Europeu e FMI) e a voltarem a apoiar o Governo.

Nas duas votações no parlamento sobre os programas de reformas, que os credores internacionais exigiram como condição prévia para o início das conversações sobre um terceiro resgate avaliado em 86 mil milhões de euros por três anos, mais de 30 deputados do Syriza votaram contra.

Os projetos em discussão acabaram por ser aprovados com os votos dos deputados dos Gregos Independentes (Anel, parceiro de coligação) e dos representantes de três partidos da oposição (Nova Democracia, Pasok e To Potami).

O líder do Syriza sublinhou a prioridade de garantir um acordo para o terceiro resgate e espera que, no início de setembro, o partido convoque um congresso extraordinário para definir qual o seu programa e as próximas iniciativas. No partido, há quem pretenda esse congresso antes da votação do programa de resgate.

Tsipras criticou indiretamente os deputados rebeldes e definiu como “curtos de ideias” os que pensam que se pode “fazer a revolução com o assalto ao Palácio de Inverno”. “Os compromissos também são parte da tática revolucionária”, acrescentou.



À margem da negociação do terceiro resgate, a Grécia tenta ainda esclarecer o polémico plano B do até há pouco ministro das Finanças. Um procurador grego abriu uma investigação para apurar eventuais ilegalidades cometidas na execução do plano iniciado por Yannis Varoufakis antes mesmo de chegar ao Governo e que previa uma eventual saída grega do euro.



A investigação não incide diretamente em Varoufakis, que, enquanto deputado, detém imunidade parlamentar. O objetivo será determinar se houve de facto violação ou não de dados privados, na medida em que o plano revelado no último fim de semana por um jornal grego incluia piratear os serviços fiscais gregos para, a partir daí, ser possível criar um sistema de pagamentos paralelo.



 

"Quadriga"?

Antes conhecidos como "troika", em janeiro deu-se um chamado "restyling" (mudança estética) da denominação do trio de credores internacionais. Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) passaram a ser oficialmente designados como "as instituições". O nome, contudo, tinha pouco "sex appeal" para os meios de comunicação e a designação "troika" continuava a ser usada amiúde. Com a entrada do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para a "equipa" dos credores internacionais, a imprensa grega começou a apelidar "as instituições" como "a quadriga", termo que designa um veículo de tração animal puxado por quatro cavalos. O jornal Expresso adiante que o portal grego News.gr defende que a autoria da nova designação não oficial das "instituições" se deve a Jean-Claude Juncker, o próprio presidente da Comissão Europeia.