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Escândalo na FIFA: Platini confirma pagamento revelado em processo-crime na Suíça

O Ministério Público helvético abriu na quinta-feira um processo-crime contra o presidente da FIFA, Joseph Blatter, e que também implica Michel Platini, num pagamento suspeito de 2 milhões de francos

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Escândalo na FIFA: Platini confirma pagamento revelado em processo-crime na Suíça

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Redação, 25 set (Lusa) — O presidente da UEFA, o francês Michel Platini, confirmou ter recebido um pagamento da FIFA, mas garantiu que foi para pagar um trabalho contratado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA).

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, está a ser investigado e foi mesmo interrogado esta sexta-feira por alegada má gestão no organismo que tutela. O caso envolve Platini, por, alegadamente, ter recebido do suíço “um pagamento ilegal” em 2011 de 2 milhões de francos suíços (cerca de 1,8 milhões de euros).

“Em relação ao pagamento que foi feito em meu favor, quero clarificar que esse montante foi pago por um trabalho que eu fiz de forma contractual para a FIFA”, disse em comunicado Platini, que também é candidato à presidência da FIFA. O francês mostrou-se ainda feliz por poder clarificar a questão.

Além de Platini, são também candidatos à presidência da FIFA o príncipe jordano Ali bin Al Hussein, antigo vice-presidente da FIFA, o sul-coreano Chung Mong-Joon, também antigo vice-presidente da FIFA, e o ex-futebolista brasileiro Zico.

O Ministério Público da Suíça revelou, em comunicado, ter aberto um processo criminal na quinta-feira ao presidente da FIFA, Joseph Blatter. A Procuradoria helvética já interrogou o suíço e explicou que “Blatter foi interrogado na qualidade de arguido”. O processo criminal contra o presidente demissionário da FIFA tem por base suspeitas de “abuso de confiança” e de “gestão danosa ou, em alternativa, “apropriação indevida” de fundos.

“O gabinete do presidente da FIFA foi alvo de buscas e foram apreendidos documentos”, adianta o Procurador-geral suíço, indicando que o pagamento ao líder da UEFA foi efetuado em fevereiro de 2011, “em prejuízo da FIFA”, por “trabalho alegadamente desempenhado entre janeiro de 1999 e junho de 2002”.

As autoridades suíças informam ainda que “existe a suspeita que Joseph Blatter violou os seus deveres fiduciários” para com a FIFA relativamente a um contrato com a União Caribenha de Futebol, celebrado em 2005 com a instituição na altuira liderada por Jack Warner, um dos principais suspeitos na investigação anticorrupção revelada em maio e que atingiu vário atuais e antigos responsáveis da FIFA.

O advogado de Joseph Blatter defende que as evidências do processo movido pela justiça suíça contra o presidente da FIFA vão provar a sua inocência e demonstrar que não houve qualquer ato de má gestão. “O senhor Blatter está a cooperar e estamos confiantes de que, quando as autoridades suíças tiverem a oportunidade de rever os documentos e as provas, vão ver que o contrato foi devidamente preparado e negociado pelos funcionários da FIFA”, disse em comunicado por Richard Cullen.

O ato de má gestão, que o advogado reafirma não ter existido, diz respeito ao referido acordo celebrado há 10 anos entre a FIFA e a União Caribenha de Futebol e que, segundo o Ministério Publico da Suíça, foi prejudicial para a FIFA.

Apesar dos escândalos de corrupção, Blatter ainda conseguiu ser reeleito presidente da FIFA poucos dias depois da investigação ter sido tornada pública, mas, no início de junho, o suíço colocou o lugar à disposição, abrindo o caminho para novas eleições, já marcadas para 26 de fevereiro.

Issa Hayatou na calha para substituir Blatter

Caso Joseph Blatter seja impedido de continuar como presidente da FIFA até às eleições, o camaronês Issa Hayatou, enquanto vice-presidente mais antigo, poderá ser chamado a dirigir interinamente a FIFA.

Hayatou, de 69 anos, preside à Confederação Africana de Futebol (CAF) desde 1988 e foi um dos principais responsáveis por África ter organizado o Mundial em 2010 (África do Sul). Como elemento mais velho no cargo, tem o estatuto de ‘vice-presidente sénior’, aquele que tem a obrigação de ocupar a cadeira principal, qualquer que seja o motivo que impeça que seja assegurada pelo presidente.

O dirigente camaronês, que preside também à comissão de Finanças da FIFA, tem no currículo a passagem pela Federação de Futebol dos Camarões (Fecafoot), nos anos 80, acedendo à CAF em 1988 e ao comité executivo da FIFA em 1990. Em 2002 foi candidato à presidência e foi facilmente derrotado por Blatter. Depois disso, os dois passaram a ser fortes aliados na direção da FIFA. O voto dos 54 membros da CAF, a mais numerosa, tem sido desde então importantes para o domínio de Blatter na liderança do futebol mundial.

Hayatou também não tem passado ao lado de escândalos e em dezembro de 2011 o Comité Olímpico Internacional sancionou-o com uma repreensão pelo caso de ‘luvas’ no caso ISL, parceiro comercial da FIFA na década de 90. Em junho passado admitiu também um pagamento à CAF por parte do Qatar, para apresentação da candidatura ao Mundial de 2022.