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Catalunha: que futuro?

A euronews entrevista Luís Bassets, diretor adjunto do jornal El País e diretor da edição catalã desta publicação

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Catalunha: que futuro?

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A Catalunha votou mas a incerteza permanece, mesmo após os grupos separatistas terem conquistado 72 assentos. A plataforma Juntos pelo Sim, liderada pelo presidente do governo regional, Artur Mas, ficou aquém dos 68 lugares parlamentares necessários para alcançar a maioria absoluta. Assim, vai necessitar do apoio do partido CUP, Candidatura de Unidade Popular, que conquistou 10 assentos. No entanto, este partido já afirmou que não pretende o envolvimento do chefe do governo regional, Artur Mas.

“Precisamos de saber se 72 deputados podem, em conjunto, elaborar um roteiro que nos levará à declaração do estado da Catalunha”, disse o chefe do governo regional no dia seguinte ao escrutíneo.

Nas ruas contudo, o tema domina as conversas e as opiniões dividem-se relativamente ao futuro do governo catalão.

A euronews conversou com Luís Bassets, diretor adjunto do El País e diretor da edição catalã deste jornal.

Cristina Giner, euronews: Depois destes resultados, quais vão ser os próximos passos do Juntos pelo Sim?

Lluís Bassets, diretor adjunto do jornal El País: “Com estes resultados, esperamos que o Juntos pelo Sim tente formar um governo sob a presidência de Artur Mas. Parece que a Esquerda Republicana e a Convergência já têm um esquema de governo – decidido na altura da apresentação da candidatura da lista: Juntos pelo Sim. O problema é conseguir uma maioria parlamentar que só poderá acontecer com os votos ou com a abstenção da CUP. Acho que esta questão se vai resolver em breve, a CUP já atuou de forma variável, em muitos casos. Ou seja, pode muito bem votar a favor, contra, ou abster-se. O que significa que pode definir uma posição, de forma subtil, e expressar o seu apoio à independência, mas o seu desacordo relativamente a Artur Mas, aos cortes e à corrupção. Creio que este vai ser o próximo passo.”

Cristina Giner, euronews: Qual poderá ser o impacto destes resultados nas eleições gerais, de dezembro?

Lluís Bassets: “Estas eleições passam uma forte mensagem a toda a opinião pública espanhola. Dizendo que o Partido Popular, que foi em grande parte a origem do problema, não é capaz de enfrentar este problema e de o resolver. E está a emergir uma nova força: o partido Ciudadanos – que reúne muito apoio na Catalunha. É o primeiro partido de oposição que tem a linguagem e o discurso capazes de se dirigir ao resto de Espanha e de se tornar, no mínimo, uma parte da solução.É uma derrota para o PP, assim como para Mariano Rajoy – no que toca seu método, espírito e mensagens relativas à Catalunha.”

Cristina Giner, euronews: Na sua opinião, como vai ficar a questão europeia?

Lluís Bassets: “Acho difícil que as coisas mudem muito, relativamente à questão europeia e à questão internacional, já que todos os governos e instituições consideraram que se trata de um assunto interno. Tendo em conta que as eleições estão ao virar da esquina e que se vislumbra uma mudança de maiorias; uma mudança de governo muito profunda, onde o tema catalão será o tema central – acredito que a abordagem dos governos europeus, ou de qualquer instituição internacional, não vai mudar substancialmente.”

Cristina Giner, euronews: Falámos sobre o enquadramento político e económico, mas qual é o enquadramento emocional destes resultados?

Lluís Bassets: “O Partido Popular pode verificar, em primeira mão, quais os problemas de ordem afetiva, sentimental e emocional que a má gestão de um conflito de interesses pode causar. Os interesses são quantificáveis e é possível chegar a um acordo. O problema é que relativamente aos sentimentos isso não é possível. Creio que há feridas, provavelmente muito profundas, mas se é possível gerir e traduzir o conflito em termos quantitativos, de interesses, de competências e legais muito rapidamente – creio que ainda vamos a tempo de recuperar todos os sentimentos feridos e quebrados.”