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Previsões nebulosas na zona euro e no Japão

As expetativas eram elevadas quanto à possibilidade de o Banco Central Europeu decidir reforçar os programas de flexibilização quantitativa nos

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Previsões nebulosas na zona euro e no Japão

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As expetativas eram elevadas quanto à possibilidade de o Banco Central Europeu decidir reforçar os programas de flexibilização quantitativa nos próximos meses na zona euro. No entanto, as declarações feitas por Mario Draghi no Parlamento Europeu refrearam os ânimos. “O programa de compra de títulos já conta com flexibilidade suficiente. Iremos ajustar a sua dimensão, composição e duração, caso sejam necessários mais estímulos monetários”, afirmou.

Após estas palavras, os mercados registaram um declínio. O índice espanhol caiu 3,65%, o alemão 2,85% e o francês 2,52%. No final da semana, o cenário começou a melhorar, com alguns dados a sugerir que o Japão vai consolidar o seu programa de estímulos económicos, uma vez que o país acusa sinais de deflação apesar de todas as iniciativas tomadas na última década. Na sexta-feira, o índice Nikkei encerrava a ganhar 1,13%; o Shanghai Composite chinês avançou 0,60%.

A opinião de Nour Eldeen al-Hammoury, analista da ADS Securities

euronews: Apesar das medidas que Tóquio tem tomado para estimular a economia, os dados mostram que o contexto japonês é ainda muito hesitante. Porquê?

Nour Eldeen al-Hammoury: Por vezes, os programas de flexibilização quantitativa produzem efeitos negativos, sobretudo se se mantiverem no longo prazo. E, neste momento, esse pode ser o caso do Japão. O programa tem tido um impacto bastante positivo na economia japonesa, tirando-a da deflação. No entanto, o aumento de impostos indiretos sobre o consumo, uma das medidas do governo Abe, teve consequências particularmente negativas. Mais, o governo pretende subi-los ainda mais no ano que vem, o que pode voltar a ter efeitos negativos. O programa de flexibilização quantitativa atual, que já é bastante vasto, vai ser reforçado. Mas a economia necessita doutros estímulos também.

euronews: Na semana passada, os mercados ficaram desapontados com a posição de Mario Draghi. A situação japonesa aumentou a especulação em torno do reforço do programa de flexibilização quantitativa. Como é que isto está a afetar as expetativas dos mercados?

Nour Eldeen al-Hammoury: É importante que as pessoas tenham noção do seguinte: durante muito tempo, os mercados não beneficiaram com as expetativas em torno da flexibilização quantitativa no Japão. Apesar disso, agora as perspetivas japonesas melhoraram após os comentários de Draghi, que por sua vez desiludiu os mercados. Há muitas dúvidas sobre o que vai fazer a Reserva Federal americana. Por isso é que os investidores estão a procurar valores seguros como o ouro que, nas últimas duas semanas, subiu 8%, ou o iéne japonês. A questão mais relevante aqui é que os mercados estão a determinar os preços com base em previsões, não em factos. Daí que os mercados sejam frequentemente sujeitos a surpresas, sobretudo se um banco central tomar uma decisão no sentido contrário, ou adie a subida de uma taxa, por exemplo. É o que está a acontecer com o BCE e a com a Fed.

euronews: Se o Japão e a Europa optarem por intensificar os programas de flexibilização quantitativa, qual será o impacto sobre o mercado cambial e os mercados do Médio Oriente?

Nour Eldeen al-Hammoury: Reforçar um programa de flexibilização quantitativa aumenta a liquidez nos mercados globais. Mas também a volatilidade pode subir, sobretudo em mercados como os do Médio Oriente, onde já foram postos em prática vários programas de flexibilização nos últimos sete anos. Por tudo isto, estamos em crer que se o Japão ou o BCE consolidarem estes programas, o volume de negócios nesta região, e no mundo inteiro, vai aumentar.

Business Snapshot: O pessimismo que paira sobre os preços do petróleo

No mês passado, mais de uma dezena de organismos financeiros internacionais baixou as estimativas em relação ao valor do petróleo. Agora foi a vez da Standard and Poor’s cortar as previsões para o resto de 2015, argumentando que vai demorar mais tempo até que os preços voltem a estabilizar-se.

Este ano, a agência prevê que o barril de Brent se situe na fasquia dos 50 dólares e o barril americano, nos 45 dólares. Em 2016, o Brent pode subir até aos 55 dólares e o americano até aos 50 dólares. Pela quarta semana consecutiva, as companhias energéticas americanas continuam a reduzir o número de explorações de petróleo, um sinal que o declínio constante dos preços está a obrigar a repensar as estratégias de produção.