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Portugal:Deco pede consumo responsável depois de excessos do Natal

A Deco, associação portuguesa para a defesa do consumidor, alerta para a necessidade de um consumo responsável e recorda que a crise ainda não acabou.

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Portugal:Deco pede consumo responsável depois de excessos do Natal

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A Deco, associação portuguesa para a defesa do consumidor, pediu esta quarta-feira aos portugueses para consumirem de forma responsável e nunca esquecendo a necessidade de poupar, especialmente numa época de crise que “ainda não acabou”.

Point of view

Os dados são preocupantes porque as dificuldades financeiras das famílias (portuguesas) permanecem. Olhando para a situação das famílias em 2015 nós verificamos que ela até se agravou face a 2014

O alerta, lançado pela entidade portuguesa dedicada à defesa e assistência dos consumidores portugueses desde 1974, tem em conta os últimos números relativamente às transações comerciais efetuadas durante as semanas anteriores ao Natal a partir de contas bancárias em territorio português.

A aumento do consumo foi noticiado por diferentes meios de comunicação social portugueses.

A Deco diz também que é necessário ter em conta, no momento das compras em épocas de saldos, normalmente anunciados em épocas como as posteriores ao Natal.

Segundo a Deco, o aumento registado no consumo este ano poderia ter sido potenciado pela ideia de que Portugal teria abandonado a crise e que é possível gastar com mais segurança, o que não corresponde à verdade.

Os dados da “entidade que gere os distribuidores automáticos de dinheiro ou Multibanco em portugal, a SIBS, indicam que as compras realizadas entre 23 de novembro e 27 de dezembro de este ano foram superiores em 7,3%, quando comparadas com o mesmo período de 2014.

Foram realizadas, com cartões de contas bancárias portuguesas, quase 4 milhões de euros em compras.

A coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado da Deco,(GAS)Natália Nunes diz que referidos dados “são preocupantes” porque “as dificuldades financeiras das famílias permanecem”.

Natália Nunes diz que existem quase tantas famílias endividadas este ano como em 2014. Mas, mais importante ainda é o facto de que há mais famílias endividadas este ano do que havia em 2012 e 2013.

Por outro lado, “olhando para a situação das famílias em 2015 nós verificamos que ela até se agravou face a 2014”, sublinhou a diretora do GAS.

Segundo a responsável, a maior parte das famílias que pede ajuda ao GAS já não tem qualquer capacidade de reestruturar a sua situação.

Esta “euforia no consumo” preocupa a Deco, que verifica que, no que à concessão de crédito diz respeito, os comportamentos são os mesmos do que antes da crise, pelo que as instituições responsáveis pela atribuição de crédito deveriam informar as famílias que gerir o dinheiro de forma responsável continua a ser uma prioridade.

O número de famílias sobreendividadas que recorreu à Deco era, em outubro passado, de cerca de 26 mil, número semelhante ao verificado no mesmo período de 2014.

A taxa de poupança dos particulares estava, em outrubro do ano passado, em mínimos semelhantes aos de 1995.