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Daesh estende "franchise" ao Extremo Oriente

A Indonésia há muito que é palco de atentados suicidas, como o de outubro de 2002 que fez duas centenas de mortos em Bali. Mas o ataque desta

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Daesh estende "franchise" ao Extremo Oriente

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A Indonésia há muito que é palco de atentados suicidas, como o de outubro de 2002 que fez duas centenas de mortos em Bali. Mas o ataque desta quinta-feira juntou atiradores e bombistas num modo operatório semelhante ao utilizado em Paris no mês de novembro. Depois da Al-Qaida, o país muçulmano mais populoso do mundo tem agora que fazer frente aos seguidores do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Muitos indonésios rumaram à Síria para combater nas fileiras da organização terrorista e vários grupos nacionais de combatentes extremistas juraram fidelidade à horda que semeia o caos no Médio Oriente.

A publicidade criada pela pertença ao Daesh atrai radicais em vários países do Extremo Oriente. É o caso da Malásia onde a polícia conseguiu desmantelar um comando que se preparava para cometer um atentado bombista numa zona turística de Kuala Lampur.

Nas Filipinas, as organizações terroristas locais também uniram esforços e adotaram o “franchise” da moda. No entanto, os militares filipinos desmentem esta informação. Certo é que no país existem grupos como o Abu Sayyaf que se tornou conhecido no ano 2000 ao raptar duas dezenas de turistas de uma ilha da Malásia.

O terror assassino do Daesh inspira extremistas em todas as latitudes. Na Tailândia, o atentado num templo budista em agosto fez 20 mortos e mais de uma centena de feridos. O método colocou o Daesh na primeira linha de suspeitos mas a pista acabou por não ser seguida. O atentado nunca foi reivindicado e o autoproclamado Estado Islâmico retira sempre dividendos propagandísticos quando os ataques são feitos em seu nome. O Daesh conseguiu no entanto um objetivo: espalhou o terror um pouco por todo o mundo.

Omar Hamid, especialista em análise de risco para a região da Ásia-Pacífico na IHS

euronews:

Porque é que o autoproclamado Estado Islâmico e os seus aliados atacam a Indonésia?

Omar Hamid:

A Indonésia é um dos países onde sempre existiu uma fricção e uma tensão considerável relativamente ao extremismo islâmico. Mas as autoridades têm sido relativamente bem-sucedidas a lidar com esta situação. Entre 2002 e 2009 houve bastantes ataques mas desde então o governo conseguiu agir de forma efetiva o que conduziu a um declínio nos anos posteriores. Contudo, as componentes básicas da insurgência islamita permanecem no país. Além disso, temos visto um número crescente de indonésios partir para combater na Síria e para o Iraque sob o estandarte do Daesh e no futuro vamos assistir ao seu regresso à Indonésia com uma grande capacidade operacional na bagagem.

euronews:

Estamos perante uma aliança de conveniência entre os grupos locais e o Estado Islâmico? Partilham os mesmos objetivos ou têm uma agenda própria?

Omar Hamid:

Fundamentalmente, em países como a Indonésia, o fator local é o mais importante. É claro que estes grupos encontram alguma complementaridade com grupos transnacionais como o Daesh ou a Al-Qaida. Vai haver sempre uma interação mas a agenda, basicamente, vai ser conduzida por imperativos locais.

euronews:

Há uma ameaça para a região? Existe o risco do Estado Islâmico espalhar os seus tentáculos nesta região do mundo?

Omar Hamid:

O risco não é tanto ver o Daesh chegar e implantar-se no Sudeste Asiático. A ameaça principal vem de vários países, como a Indonésia, as Filipinas ou a Malásia, terem nacionais que partiram combater para o Estado Islâmico. Estes voluntários vão regressar e, pode não ser necessariamente assim que voltarem, pode ocorrer daqui a cinco anos, mas as capacidades operacionais que vão trazer serão de um nível bastante mais elevado do que as que existem atualmente nestes países. Pode agir quase como uma força multiplicadora. Se quisermos olhar para um paralelo histórico é muito semelhante com o que aconteceu no fim da invasão soviética do Afeganistão no final dos anos 80, início dos 90, quando os jiadistas que combateram no país regressaram à Indonésia e às Filipinas com mais conhecimentos e experiência, o que conduziu ao início de atividades de guerrilha intensas nesses países no final dos ano 90 e no início do milénio.