Última hora

Última hora

França: Protesto contra lei do trabalho degenera em confrontos e 130 detidos

Pelo menos 130 pessoas foram detidas esta terça-feira, em Paris, na sequência de mais uma manifestação contra a anunciada reforma da lei do trabalho

Em leitura:

França: Protesto contra lei do trabalho degenera em confrontos e 130 detidos

Tamanho do texto Aa Aa

Pelo menos 130 pessoas foram detidas esta terça-feira, em Paris, na sequência de mais uma manifestação contra a anunciada reforma da lei do trabalho. O protesto juntou, desta feita, mais de 3000 alunos só na capital francesa, mas fez-se sentir também noutras cidades gaulesas.

Em Rennes, por exemplo, o protesto chegou a cortar a linha dos caminhos-de-ferro junto à estação local. Por segurança, a SNCF, a companhia ferroviária francesa, cortou a alimentação elétrica da linha e dezenas de comboios foram afetados, Meia hora depois, os manifestantes abandonaram o local, mas os confrontos com as autoridades prosseguiram não muito longe da gare, junto a um estabelecimento prisional para mulheres.

(Manifestação contra a lei do trabalho: 130 detenções em Paris.)

Paris foi o cenário de uma autêntica revolta com grupos de jovens a atacarem as forças da ordem com pedras, garrafas de vidro e ovos. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo e deteve para identificação 130 pessoas.

Os estudantes exigem ser ouvidos pelo governo, que esta terça-feira começa a apresentar à comissão dos assuntos sociais da Assembleia Nacional a proposta de reforma redigida pela ministra do Trabalho Myriam El Khomri. O documento deverá ser discutido pelos deputados franceses, no hemiciclo, a partir de 3 de maio.

“Estamos aqui pelas nossas convicções. Não estamos aqui apenas para partir coisas e para bater na polícia. Queremos ser ouvidos e aqui vamos continuar”, prometeu um estudante presente na manifestação de Paris.

Um outro, mais jovem, começou por dizer ainda andar “no secundário”. “Ainda me faltam uns anos para começar a trabalhar, mas a mudança está a acontecer agora e, por isso, é agora que temos de abanar o sistema. Não podemos esperar pelo amanhã porque a geração do amanhã, afinal, somos nós”, sublinhou.

A manifestação dos estudantes antecipou-se a uma marcha de protesto já programada para o início da tarde pelos principais sindicatos franceses. O grito de revolta face à anunciada reforma da lei do trabalho em França vai já na quinta semana.

Em causa, estão alterações que poderão vir a agravar as situações de trabalho precário, aumentar o horário laboral de 35 horas sem reflexo proporcional no salário e ainda facilitar despedimentos.