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18.ª Cimeira franco-alemã: Merkel e Hollande juntos por Schengen

Angela Merkel e François Hollande sublinharam esta quinta-feira, em Metz, França, a necessidade de uma cooperação europeia forte para uma melhor

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18.ª Cimeira franco-alemã: Merkel e Hollande juntos por Schengen

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Angela Merkel e François Hollande sublinharam esta quinta-feira, em Metz, França, a necessidade de uma cooperação europeia forte para uma melhor gestão dos problemas que se colocam à União Europeia. A Chanceler alemã e o Presidente francês mostram-nos unidos no esforço de aumentar a proteção das fronteiras externas e retomar em pleno a livre circulação interna do acordo de Schengen.

Point of view

No que toca a França e Alemanha, vamos continuar a apoiar a Ucrânia e a aplicar o acordo de associação nos nossos países.

Pouco mais de duas semanas após os atentados de Bruxelas, a crise de refugiados, o acordo com a Turquia, o combate ao terrorismo e à evasão fiscal dominaram o “menu” do 18.° Conselho de Ministros franco-alemão, ao qual se juntaram ainda, entre outros, o primeiro-ministro francês Manuel Valls e os responsáveis por ambas as pastas das Finanças.

As conversas entre Michel Sapin e Wolfgang Schaüble terão-se focado no recente escândalo espoletado pela investigação jornalística intitulada “Documentos do Panamá”, a qual o ministro alemão, de acordo com François Hollande, considerou “uma boa novidade” por vir contribuir para “um melhor rastreamento de fraude, dos criminosos”. “Se há empresas na Europa envolvidas neste tipo de comportamentos, elas serão processadas” perspetivou Hollande, com Merkel a sublinhar também a luta em curso contra o “branqueamenmto de capitais.”

Para o Presidente francês, uma das prioridades entre os “28” é o regresso à implementação do acordo de Schengen, posto em causa por alguns dos países membros que fecharam as respetivas fronteiras para estancar a massiva travessia de migrantes clandestinos e refugiados.

“Temos de voltar, o mais rápido possível, a implementar os procedimentos de Schengen, assegurando em simultâneo, com dignidade, o regresso (à origem) dos migrantes que não têm o direito de se instalar na Europa. É este o sentido do que foi alcançado com o acordo envolvendo a Turquia e a Grécia”, sublinhou François Hollande.

A Chanceler alemã, por seu lado, focou-se nas fronteiras externas e lembrou que, tal como a Turquia, também a Líbia deve ser olhada com atenção face à luta que está a ser travada com os “facilitadores”, termo pelo qual são denominados os “piratas” que têm lucrado com as travessias clandestinas do Meditterrâneo por migrantes a caminho da Europa.

“Por razões de segurança e de confiança dos cidadãos dos nossos países, temos de mostrar que somos capazes de proteger as nossas fronteiras externas. Se olharmos à situação territorial na Europa, vemos que há uma vizinhança muito diversa; que as fronteiras marítimas são mais difíceis de proteger do que as terrestres; e que precisamos de cooperação com os nossos vizinhos. Isto aplica-se à Turquia e vai também aplicar-se, agora, à Líbia”, alertou Angela Merkel.

Uma das novidades a ser implementada será a criação de um Conselho de Integração franco-alemão destinado a ajudar os refugiados acolhidos no acesso a educação, nomeadamente à aprendizagem do idioma do país de acolhimento, ao mercado de trabalho e a uma vida com dignidade no seio da UE.

O projeto foi debatido entre estudantes alemães e franceses com Merkel e Hollande numa iniciativa intitulada “Café do Mundo”, à margem do Conselho de miniustros franco-alemão.

O novo organismo foi sugerido por um relatório produzido e apresentado esta quinta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault, e Annegret Kramp-Karrenbauer, presidente da Associação Alemã de Educação para Adultos e ministra-presidente de Sarre, um dos 16 estados federados da Alemanha.

O polémico referendo na Holanda de quarta-feira, em que ganhou o “não” ao acordo europeu com a Ucrânia, não foi ignorado em Metz. Merkel e Hollande garantem que os países países vão continuar a apoiar a associação política e comercial entre Bruxelas e Kiev iniciada em 2014 apesar de continuar a faltar a aprovação holandesa para a necessária unanimidade entre os “28” que permite a total implementação do acordo.

“No que toca à Europa, a associação vai ser implementado tanto quanto possível. No que toca a França e Alemanha, vamos continuar a apoiar a Ucrânia e a aplicar o acordo de associação nos nossos países”, garantiu o Presidente gaulês. A Chanceler alemão acrescentou: “Conseguimos resolver outros dossiês difíceis. Julgo que também seremos capazes de resolver esta dificuldade. Remetemos essa questão para as autoridades holandeses e para as instituições europeias.”