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Poluição atmosférica na UE aumenta meses depois da COP21

Meses depois da COP21, a conferência de Paris sobre o clima, vários Estados membros aumentaram os níveis de emissão de gases para a atmosfera.

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Poluição atmosférica na UE aumenta meses depois da COP21

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As emissões de dióxido de carbono aumentaram durante o ano passado no território da União Europeia, segundo dados recentemente revelados.

Os ativistas dizem que se trata de uma tendência preocupante e que demonstra ser urgente a transição rápida para uma sociedade que aposte nas fontes de energia renováveis.

Segundo dados da agência europeia de estatística Eurostat, as emissões de dióxido de carbono, responsáveis pela grande maioria dos gases que contribuem para o chamado efeito de estufa, aumentaram a presença na atmosfera em 0,7% no ano passado.

O aumento foi registado em dois terços dos Estados membros, incluindo na Eslováquia, em Portugal e na Hungria, contrariando assim uma tendência registada até há pouco tempo e que apontava para uma redução geral da presença de gases nocivos na atmosfera.

Foi durante a COP21, em Paris que a UE acordou reduzir a emissão de gases que contribuem para o efeito de estuda em pelos menos 40 por cento até 2030, uma meta que muitos analistas acreditam ainda ser possível cumprir.

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As preocupações da Alemanha

Dos principais responsáveis pela emissão de gases que contribuem para o efeito de estufa – Alemanha, Itália, França, Polónia e o Reino Unido – apenas os britânicos viram a sua taxa de poluição dominuir no último ano.

A Alemanha, cujos níveis de poluição se mantiveram ano após ano, produz quase um quarto do total das emissões em território da União e possui quase um terço das industrias mais poluentes da UE..

Wendel Trio, Diretor da Climate Action Network Europe, disse à Euronews que o seu país era motivo de preocupação para a organização.

“A Alemanha tem sofrido com o impacto das energiewende, desenvolvidas com o propósito de reduzir a dependência do carvão”, disse Trio.

“Houve uma redução do uso do carvão na Alemanha, mas o país ainda depende muito dessa fonte de energia e é por isso que se torna tão difícil cumprir com a meta indidual da redução de gases responsáveis pelos efeitos de estufa”.

A Polónia, por outro lado, tem-se mostrado mais resistente à mundança.

“A Polónia enfrenta um problema realmente importante porque não tem dado muita atenção à necessidade de usar novas fontes de energia”, disse Trio, sobretudo pelo papel importante dos trabalhadores das minas do carvão durante a mudança de sistema político.

Mais preocupcações europeias

Wendel Trio disse também à Euronews estar particularmente preocupado com a Bélgica, Irlanda e Áustria, pois não estavam a cumprir as metas de redução de gases poluentes estabelecidas para 2020.

Para Trio, “estes três países aumentaram as emissões de gases poluentes e a sua posição não foi sequer mencionada pela Comissão Europeia, sabendo que não conseguirão cumprir as metas de 2020, se tivermos em conta os números oficiais registados em 2014.”

“O facto de que tenham vindo a aumentar as emissões poluentes até 2015 não é bom sinal. Significa que nâo levaram a sério os avisos da CE.”

A mudança para as energias renováveis

Bram Claey é analista e perito em mudança climática e uso de energía na Greenpeace. Disse estar muito preocupado com os números registados em alguns países no que à poluição diz respeito.

“A tendência para a redução na emissão de gases poluentes dos últimos três ou quatros anos é assim revertida, isto logo a seguir aos acordos de Paris.”

Cerca de 16 por cento da energia consumida na UE é produzida graças a forças de energia renováveis. Espera-se que, em 4 anos, a taxa chegue aos 20 por cento.

A entrevista com Wendel Trio

Aqui poderá conhecer entrevista dada por Wendel Trio, diretor da Climate Action Network Europe.