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Massacre de Orlando, testemunha: "Tive de me fingir de morto para sobreviver"

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De  Francisco Marques  com AP
Massacre de Orlando, testemunha: "Tive de me fingir de morto para sobreviver"

<p>O massacre da madrugada de sábado para domingo na discoteca Pulse, de Orlando, nos Estados Unidos, trouxe à memória o ataque de 13 de novembro na sala de espetáculos Bataclan, em Paris. Cerca de 1500 pessoas estavam, então, presentes num concerto dos Eagles of Death Metal, 130 foram mortas. </p> <p>Agora, 350 participavam numa festa lotada num local habitualmente frequentado por membros da comunidade <span class="caps">LGBT</span> (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Pelo menos, 50 foram mortos e mais de meia centena resultaram feridos.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr"><span class="caps">VIDEO</span>: Son sends text during shooting: “I'm gonna die.” <a href="https://t.co/qOUQP3b3kf">https://t.co/qOUQP3b3kf</a></p>— The Associated Press (@AP) <a href="https://twitter.com/AP/status/742144913219964928">13 de junho de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <div align="center"><i>(VÍDEO: Filho envia mensagem (à família) durante o tiroteio: “Vou morrer”.)</i></div></p> <p>Ao mesmo tempo que dezenas de pessoas eram mortas por um atirador, outras — tal como aconteceu em Paris — tiveram o sangue frio de se fingir de mortos, tentando sobreviver. Foi o caso de um homem, identificado curiosamente apenas como “Orlando”.</p> <p>Este sobrevivente preferiu não mostrar a cara às câmaras de televisão enquanto partilhou, domingo à noite, menos de 24 horas após o ataque, numa vigília na Igreja da Comunidade Metropolitana da Alegria, em Orlando, a aterradora experiência vivida. </p> <b>Eis o seu testemunho:</b> <div style="width:606px;margin-bottom:8px;">   <div style="background-color:#e8e8e8; font-size:12px; padding:8px;border-radius:8px;"> <p><h4>“É difícil, para mim, falar. Ainda estou a tremer. Tentei digerir o que passei na noite passada, numa casa de banho, durante três horas, com este homem. Sempre que ouvia um tiro, esperava que não estivesse a matar um amigo meu porque eu conheço toda a gente, toda a gente sabe quem eu sou. O que eu queria era ver todos a divertirem-se.</p> <p>“Aquele é um local para nos divertirmos, para socializarmos, conversarmos e partilharmos histórias, respeitando todos. É simplesmente para passarmos bons momentos. Mas alguém entrou e perturbou tudo. </p> <p>“Fiquei muito surpreso. Pensei que fosse uma brincadeira. Pareceu-me fogo-de-artifício. As pessoas pensavam que fazia parte da música, com o som das batidas.</p> <p>“Mas era a sério. Tive de me fingir de morto para sobreviver lá dentro. Uma amiga estava comigo e fez o mesmo que eu. Estou feliz por ter conseguido fazer com que ela também se fingisse de morta para que o atirador não irrompesse pela casa de banho.</p> <p>“Endereço a minha sincera simpatia a todas as famílias que perderam pessoas que amavam, os quais também eram meus amigos. Isto não nos vai impedir, no entanto, de continuarmos a desfrutar da vida, de continuarmos a amar e a respeitar os outros apesar de todo o ódio que persista no mundo.”</h4></p> </div> </div></p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Another night of drinking and dancing, until the shots began at a gay nightclub in Orlando, Florida. <a href="https://t.co/Oqo8uq2ZHB">https://t.co/Oqo8uq2ZHB</a></p>— The Associated Press (@AP) <a href="https://twitter.com/AP/status/742144458117025792">13 de junho de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <div align="center"><i>(Mais uma noite de bebidas e dança até que<br /> os tiros começaram numa discoteca gay de Orlando, na Florida.)</i></div></p>