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Virginia Raggi: "Roma muda se os romanos mudarem"

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Virginia Raggi: "Roma muda se os romanos mudarem"

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Virginia Raggi é a nova presidente da Câmara de Roma.
A advogada de 37 anos conseguiu 67,2% dos votos nas segunda volta das autárquicas italianas. Era candidata do Movimento 5 Estrelas formação política crítica da classe dirigente, fundada em 2009 pelo humorista Beppe Grillo .
O seu rival era Roberto Giachetti do Partido Democrata, o partido do primeiro ministro Matteo Renzi .
O Movimento 5 Estrelas venceu também as eleições em Turim.

Com uma dívida de cerca de 13 mil milhões de euros, a capital italiana está à beira da falência. Se Raggi tiver sucesso na governação, o seu partido poderá tornar-se a principal força de oposição nas legislativas de 2018. Em caso contrário, o 5 Estrelas perderá força de atração.


Simona Volta, euronews
Temos connosco em Global Conversation Virginia Raggi, a nova presidente da câmara de Roma. Quais são as duas primeiras coisas que pretende fazer assim que tomar posse no Campidoglio?

Virginia Raggi
Vamos começar pelo ‘tesouro do dinheiro desperdiçado’ que equivale a um milhão e duzentos mil euros por ano. Há que recuperar este dinheiro desperdiçado e convertê-lo em serviços públicos. Vamos também ter negociar a dívida de Roma, que representa entre 13 e 16 mil milhões de euros. Temos de fazer uma auditoria para compreendermos exatamente o que cabe à comissão nomeada pelo governo. E há que renegociar as taxas de juro – a partir de hoje o custo do dinheiro é quase 0%, não podemos pagar taxas de juro que foram negociadas em 2008.

Simona Volta
Vai ter de lidar com o governo de Renzi e com o Partido Democrata, com os quais houve confrontos verbais durante a campanha eleitoral. Isto torna tudo mais complicado.

Virginia Raggi
Não pela parte que me toca. Disse sempre que contava com uma relação leal e franca com as outras instituições e da minha parte existe inteira disponibilidade.
Eu já disse que estou disposta a pôr um fim ao tom da campanha eleitoral que, da parte do Partido Democrata foi muito duro, especialmente para comigo. Por mim, não há problema. Vamos começar de novo a partir de agora e trabalhar no interesse de Roma e dos romanos. Espero a mesma lealdade das outras instituições e do primeiro-ministro.

Simona Volta
Não desejaria esclarecer a questão do aconselhamento jurídico feito em 2012 para uma entidade pública e declarado em 2015? Durante a campanha eleitoral, não esclareceu e disse que estava a ser atacada com lama. Agora é presidente da câmara e os eleitores exigem uma resposta, até porque tem feito da transparência o seu cavalo de batalha.

Virginia Raggi
Antes de mais, não se tratou de aconselhamento jurídico, era uma tarefa de assistência jurídica, que é muito diferente. Como assistente legal, cabia-me executar um acórdão do Tribunal de Contas que declarava que a unidade da administração de saúde (ASL – Azienda Sanitaria Locale) tinha sido vítima de fraude por um médico. Tinha pago mais do que deveria e a minha tarefa era recuperar esse dinheiro. Encarregaram-me disso em 2012, realizei uma série de atividades, apresentei fatura em 2014, esta factura foi inscrita nas contas da empresa, foi emitido um mandado de pagamento em 2015, pagaram-me em 2015 e entrou nas minhas declarações fiscais. Segui todos os trâmites legais que se aplicam aos profissionais.


Biografia: Virginia Raggi

  • Virginia Raggi, 37 anos de idade, é advogada.
  • Entrou na política em 2011.
  • Com 67,15% dos votos, venceu contra Roberto Giachetti (PD) que conseguiu 32,85%.

Simona Volta
A Mafia Capitale parece ter penetrado tudo em Roma. As organizações criminosas estão infiltrados em tudo, com a cumplicidade dos políticos. Como mudar isto e, principalmente, como fazer para não ficar envolvida?

Virginia Raggi
Antes de mais, há que aplicar a lei. Quanto aos concursos públicos, há que implementar as regras em vigor. Assim, todas as empresas que queiram trabalhar para o município de Roma em todos os setores, poderão apresentar propostas e poderá ser escolhida a melhor oferta.

Simona Volta
Fala dos concursos públicos, mas o problema é a infiltração da máfia. Não é fácil excluir as organizações criminosas.

Virginia Raggi
Temos de recorrer a todos os sistemas de que dispomos: por exemplo, o compromisso de não ligação à Máfia. A Autoridade nacional Anti-Corrupção (ANAC) já declarou que vai apoiar a administração Roma. Segundo o relatório emitido pelo presidente Cantone (o presidente da ANAC), que analisou cerca de 1500 contratos ou seja, 10% de todos os contratos, 90% dos contratos examinados era ilegais, para além de violarem qualquer regra de bom senso. É evidente que a adinistração funcionou mal durante anos e agora tem de regressar à legalidade.

Simona Volta
“Os subúrbios de Roma tornaram-se um lugar de exclusão social. Algumas cidades europeias estão a rever um modelo que não funcionou e que originou guetos. Estou a pensando em cidades como Amesterdão ou Hamburgo, onde o novo modelo de habitação social procura favorecer a mistura social. É demasiado tarde para Roma ?

Virginia Raggi
Não me parece, mas Roma tem de começar agora a ligar os subúrbios ao centro. Entendemos por subúrbios não só a cintura geográfica externa da cidade, mas todas as áreas afastadas do centro e por isso privadas dos serviços mais importantes – transporte, dos serviços essenciais ao cinema ou ao teatro. Os subúrbios tornaram-se dormitórios, fora destes dormitórios temos blocos de apartamentos completamente vazios. Não, não é tarde demais, mas é preciso agir.

Simona Volta
E como agir, com este orçamento?

Virginia Raggi
Primeiro, há que recuperar o desperdício.

Simona Volta
“Não sei se deva dar-lhe os parabéns pela vitória, porque vai governar uma cidade complexa e complicada como Roma e é uma tarefa verdadeiramente assustadora. Não receia que um eventual fracasso desta experiência de governação em Roma deite por terra todas as aspirações do Movimento 5 Estrelas?

Virginia Raggi
Acredito que os cidadãos, com esta votação, e particularmente em Roma, já declararam claramente a vontade firme de se comprometerem em mudar a cidade. Esta vontade não deve ser subestimada. Durante os últimos três anos de oposição e os três meses de campanha eleitoral, disse sempre que Roma muda se os romanos mudarem. Teremos sucesso se fizermos as coisas juntos. Por isso estou muito confiante de que a experiência será positiva.
Vai ser preciso algum tempo, porque não temos nenhuma varinha mágica e deixaram-nos uma cidade verdadeiramente em escombros, verdadeiramente em escombros. Mas estou muito confiante em que, passo a passo, conseguiremos inverter o curso de um sistema que corre contra a parede. Tem de ser reposto nos carris e apontado para um futuro em que as necessidades dos cidadãos sejam prioritárias.

Simona Volta
Depois de Paris e Madrid, Roma é a terceira capital europeia com uma mulher no governo. É uma coincidência?

Virginia Raggi
Não sei se é uma coincidência. Eu diria que é um bom sinal, um sinal da mudança dos tempos. Significa que as pessoas estão prontas a lançarem-se numa nova aventura e espero também que seja um primeiro passo rumo a um tipo de políticas de género que são sempre vistas com desagrado mas deveriam regressar ao centro da agenda pública.

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