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NATO: "A defesa militar é uma plataforma de envolvimento no diálogo político com a Rússia".

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NATO: "A defesa militar é uma plataforma de envolvimento no diálogo político com a Rússia".

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Ouvimos com alguma frequência que o mundo enfrenta desafios de segurança sem precedentes. Já as soluções são mais difíceis de ouvir. Sendo a NATO criticada, há muito tempo, por ser irrelevante, a organização está a preparar a cimeira de Varsóvia para tentar provar o contrário e avançar medidas realistas e efectivas para combater as mais variadas crises.
Connosco está o secretário geral da NATO, Jens Stoltenberg a partir da sede da organização.

Isabelle Kumar, euronews:
“Qual será a principal conquista que se pode conseguir no final da cimeira de Varsóvia?”

Jens Stoltenberg, NATO:
“A principal mensagem é que a NATO se está a adaptar ao novo e cada vez mais desafiante ambiente de segurança, a um mundo mais perigoso e estamos a reforçar as nossas defesas colectivas na Europa mas também a trabalhar mais com os nossos parceiros no Médio Oriente e norte de África, para ajudar a estabilizar os seus países. Porque se forem mais estáveis, nós estaremos mais seguros”.

Isabelle Kumar, euronews:
“Iremos olhar para algumas dessas questões mas , tal como disse no passado, estamos a enfrentar um período de muita incerteza, que agora foi reforçada com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia depois do referendo e, vou citá-lo, disse que um Reino Unido forte numa Europa forte seria bom para o Reino Unido e para a NATO. Parece que não temos nem uma coisa nem outra”.

Jens Stoltenberg, NATO:
“A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia muda a relação entre os dois mas não altera a posição do Reino Unido dentro da NATO. O Reino Unido vai continuar a ser forte e um aliado comprometido dentro da aliança, o que é importante uma vez que o Reino Unido é responsável por cerca de um quarto dos gastos de defesa entre os aliados europeus da NATO. Portanto, é importante que continuem a ser um forte aliado dentro da Aliança e nós vamos continuar a desenvolver a nossa cooperação com a União Europeia, que é uma dos temas principais que vamos abordar na nossa cimeira em Varsóvia”.

Isabelle Kumar, euronews:
“Está a preparar-se para estabelecer um pacto entre a União Europeia e a NATO, mas sem o Reino Unido, os Britânicos podem passar a ser uma entidade à parte, não sabemos como vão ser desenhas as coisas, vai encontrar uma União Europeia enfraquecida. Não será o tipo de parceiro que quer…”

Jens Stoltenberg, NATO:
“A União Europeia não vai ficar mais fraca, a União Europeia vai continuar a ser importante para toda a Europa. Enfrentamos os mesmos desafios e ameaças, mas nem a União Europeia nem a NATO têm todas as respostas, todas as ferramentas, mas juntas podemos encontrar uma resposta melhor para os desafios que temos hoje na Europa”.


Biografia: Jens Stoltenberg

  • Jens Stoltenberg é o 13º secretário geral da NATO
  • Foi primeiro-ministro da Noruega durante duas vezes (2000-2001 and 2005-2013)
  • É licenciado em Economia pela Universidade de Oslo
  • Nasceu em Oslo, na Noruega a 16 de março de 1959

Isabelle Kumar, euronews:
“Um dos temas mais importantes desta cimeira de Varsóvia será a Rússia. A NATO tem realizado alguns dos maiores exercícios militares na Polónia e sabemos que quer enviar quatro batalhões para o lado mais oriental da NATO. Que mensagem está a tentar passar à Rússia, acha que vai ficar intimidada?”

Jens Stoltenberg, NATO:
“A mensagem que queremos passar é que estamos prontos para defender todos os nossos aliados e que um ataque a um dos aliados será um ataque a toda a aliança. Isto é dissuasão, é defesa e também é importante para a estabilidade da Europa que a NATO continue forte no que diz respeito a dissuasão e defesa. A NATO não procura o confronto, não queremos uma nova guerra fria, não queremos uma nova corrida ao armamento, por isso continuamos a batalhar para que haja um diálogo político com a Rússia, para reduzir as tensões e desenvolver uma relação melhor”.

Isabelle Kumar, euronews:
“Está a dizer-me que não quer que exista uma escalada da confrontação, um inflamar das tensões mas está consciente de que o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão vê as coisas de maneira diferente e acusa-o provocação com este aumento da atividade militar”.

Jens Stoltenberg, NATO:
“Todos os 28 aliados da NATO concordaram com a decisão que tomámos de reforçar a nossa presença militar na região leste da aliança, com mais exercícios. A NATO está a participar nesses exercícios e fico contente por isso. Mas os 28 aliados também concordaram com a importância de continuar de reforçar o diálogo político, cooperação com a Rússia. E a Alemanha liderou ambos os processos, tem estado na linha da frente. Não há contradição entre uma defesa forte e o diálogo, aliás, precisamos da defesa como plataforma de envolvimento no diálogo político com a Rússia”.

Isabelle Kumar, euronews:
“Com tantos recursos agora focados na Rússia, isso pode querer dizer que haverá menos meios para lidar com o Sul, por exemplo, a crise das migrações. Será a NATO capaz de ter um papel de liderança nas migrações ou vai manter-se na retaguarda?”

Jens Stoltenberg, NATO:
“A NATO não se pode dar ao luxo de escolher entre tentar resolver as ameaças e desafios que chegam do sul ou os desafios que aparecem do leste, temos de resolver os dois ao mesmo tempo. Além disso, a aliança está a ter muito trabalho para estabilizar a zona sul. Aumentámos a nossa presença na Turquia, o aliado da NATO mais afetado pela crise. Os combates no Iraque e na Síria. Continuamos no Afeganistão, a nossa maior missão da história, dando treino e formação ao exército, de forma a que possa lutar melhor contra o terrorismo e consiga dar estabilidade ao país.
Tudo isto para poder abordar a raiz do problema do grande fluxo migratório que assistimos na Europa. Temos de ajudar a estabilizar esses países.
A NATO também tem tido um papel relevante na crise dos refugiados na Europa, com a frota de barcos no Mar Egeu. Em colaboração com a União Europeia conseguimos reduzir quase a zero as milhares de travessias ilegais diárias que ocorriam nas águas do Mar Egeu”.

Isabelle Kumar, euronews:
“Os mais críticos acusam-no de ser muito lento a adaptar-se à crise terrorista, acusam a NATO de não conseguir lidar com esta forma de guerra assimétrica”.

Jens Stoltenberg, NATO:
“A NATO tenta abordar a raiz do problema com a presença no Afeganistão, com o treino das forças iraquianas, com a presença na Jordânia, Tunísia e, claro, com a nossa presença na Turquia, cercando os centros de agitação no Iraque e na Síria. Por isso, estamos a apoiar a aliança na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico com contingente militar. E essa é uma parte do papel da NATO, enquanto a União Europeia e outros países estão encarregues de reforçar a componente civil e humanitária”.

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