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Jogos Olímpicos do Rio terão equipa de refugiados

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Jogos Olímpicos do Rio terão equipa de refugiados

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Com Patrick Atack

O primeiro dia dos Jogos Olímpicos dos Rio de Janeiro, dia 5 de agosto, ficará marcado por uma novidade: desfilará, pela primeira vez, na História dos Jogos, uma equipa totalmente composta por atletas refugiados, juntamente com as outras 205 delegações.

São 10 os atletas que compõem esta delegação, que reflete a situação que se vive atualmente em diferentes zonas do globo, com diversos conflitos regionais de longa duração. O grupo participará em provas nas modalidades de Atletismo, Natação e Judo. O Comité Olímpico Internacional espera que a iniciativa tenha um certo “peso simbólico” e que “funcione como um símbolo de esperança para os refugiados em todo o mundo e que chame a atenção para a dimensão da crise dos refugiados a nível mundial.”

A delegação inclui cinco corredores do Sudão, dois judokas congoleses e dois nadadores sírios.

A bandeira escolhida para a delegação foi a bandeira olímpica. Para Yusra Mardini, uma nadadora síria, ela e os companheiros “representam a mais importante de todas as bandeiras, a que representa todos os países.”

É certo que, normalmente, a histórias dos percursos dos diferentes atletas olímpicos são apaixonantes, carregadas de sacrifício e, muitas vezes, de dor, e, quase sempre, de superação. Mas esta equipa, a equipa dos refugiados, recorda que há um grupo de atletas que passou por um conjunto de situações pessoais realmente difíceis, tendo feito um esforço excecional até chegar ao Rio de Janeiro. Enfrentaram guerras, ataques, tiroteios, situações de extrema violência e de um intenso desgaste físico e emocional durante meses e mesmo durante anos. Mas nunca desistiram.

Mardini, por exemplo, usou as suas excelentes capacidades como nadadora para fugir à guerra na Síria. Tudo porque o barco em que se encontrava com outros 19 migrantes afundou no mar Mediterrâneo. Agora, diz que nunca mais quer voltar a nadar no mar. Apenas em piscinas.

Yolande Mabika participa nas provas femininas de judo, na categoria de 70kg. Começou a praticar a modalidade num orfanato em Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo. Depois de emigrar para o Brasil, foi apadrinhada pelo quatro vezes campeão Olímpico Geraldo Bernardes. Bernardes tinha experiências anteriores no treino de atletas com histórias de vida complicadas, como foi o caso da campeã do mundo de 2013, Rafaela Silva, que cresceu numa das favelas cariocas.

Mabika diz estar concentrada nos Jogos, não só por ela, mas por toda a equipa. Este evento, diz, é mais do que uma competição desportiva. “Não é só a batalha nas provas, é também a batalha pela vida. Vou lutar pela minha vida.”

Todos os atletas da delegação foram escolhidos pelo Comité Olímpico Internacional (IOC, pela sigla em língua inglesa), que se encarregou de identificar atletas que vivessem fora dos seus países e que tivessem demonstrado capacidades e prestações a nível de competição Olímpica.

Cada um destes desportistas foi, de certa forma, acolhido pelo Comité Olímpico Nacional (NOC, pela sigla em língua inglesa) do país onde se encontravam no momento. James Chiengjiek, Yiech Biel, Paulo Lokoro, Rose Lokonyen E Anjelina Lohalith são oriundos do recentemente independente Sudão do Sul, mas foram escolhidos para participar nos Jogos pelo NOC do Quénia, país onde encontraram refúgio depois do começo da guerra civil no país deles.

Para além da delegação olímpica composta por desportistas refugiados, o IOC decidiu que Ibrahim al-Hussein, um refugiado sírio residente em Atenas, transportará a chama Olímpica durante parte do seu percurso. O jovem atleta de 27 anos disse que o convite era para ele “uma honra.”

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