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Gémeos na educação

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Gémeos na educação

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Há especialistas que defendem que os irmãos gémeos devem ter um processo educativo autónomo. Outros argumentam que é mais benéfico se forem juntos à escola. Neste Learning World, debatemos os prós e contras em torno desta questão.

Bósnia: Viagem à “cidade dos gémeos”

Na Bósnia, existe uma localidade que se autodenomina como “a cidade dos gémeos”. Aliás, a escola que visitámos em Bužim tem nada menos do que quatro dezenas de gémeos que fazem o percurso educativo em conjunto.

As sapatilhas e a roupa são idênticas, mas isso está longe de ser tudo o que Aija e Almedina têm em comum. Ilhan e Elhan sempre foram difíceis de distinguir. Sara e Lara não são as únicas gémeas na família. Parece que tudo condiz, mas os professores e os pais salientam que não é bem assim.

“Antes de mais, há que dizer que é um grande desafio educar gémeas. Sou a mãe, sou a melhor amiga e sou a psicóloga. E a médica também. Tudo isto a dobrar. Mas é uma experiência muito bonita”, diz-nos Sefika Aldzic, uma mãe bósnia.

Esta escola insere-se numa pequena comunidade de 20 mil habitantes que conta oficialmente com duas centenas de gémeos, embora certos dados apontem para cerca de 400. Não há uma explicação científica validada para este facto.

Perante esta realidade, alguns peritos em pedagogia, como Emina Alesevic, salientam que é crucial os gémeos partilharem as aulas, sobretudo na primária. “Eles gostam de estar juntos. Podem não insistir, mas nós sabemos claramente que é assim. E isso passa por terem aulas juntos. Partilham os livros e outros materiais escolares, e gostam de estudar juntos em casa”, afirma Alesevic.

Na verdade, o presidente da Câmara de Bužim, Agan Bunic, quer tornar a localidade num centro privilegiado de investigação neste domínio: “Nós assumimos como missão promover Bužim como a ‘cidade dos gémeos’. Pretendemos organizar encontros na cidade, tanto nacionais, como internacionais. A ideia é atrair gente que se interesse pelo assunto, incluindo cientistas. Pode ser vantajoso para todos.”

Reino Unido: Longe da vista mas…

Longe da realidade consolidada no contacto permanente, outras teorias defendem os benefícios dos percursos independentes. Fomos até ao Reino Unido conhecer outro tipo de relacionamento entre gémeos e uma abordagem académica diferente.

Ao longo das últimas quatro décadas, em vários países desenvolvidos, o número de nascimentos múltiplos quase duplicou. A Professora Pat Preedy explica porquê: “Primeiro que tudo, há o aumento considerável dos tratamentos de fertilidade, que se tornaram muito mais acessíveis. Depois também temos mães com cada vez mais idade que querem constituir família e que se sujeitam a determinadas terapias. E muitos dos gémeos nascem, na verdade, prematuramente. Como, hoje em dia, os cuidados de saúde estão mais evoluídos, as taxas de sobrevivência para os bebés prematuros são muito mais elevadas.”

E quando chega a idade de irem para a escola? Qual é a melhor opção: em conjunto ou separadamente? Segundo Pat Preedy, há que identificar primeiro as necessidades individuais de cada um dos irmãos e compreender a relação que mantêm.

“Por um lado, temos os gémeos idênticos muito, muito próximos – a aparência e o comportamento são muito semelhantes. No outro extremo, temos aqueles que são extremamente individualistas, que não gostam de ter um irmão gémeo, que reagem contra isso e que se deparam com dificuldades no desenvolvimento enquanto indivíduos. A maioria situa-se entre estes dois pontos – trata-se daqueles para quem o mais importante do mundo não é o facto de serem gémeos. É uma parte deles, mas também sabem afirmar-se individualmente”, salienta.

Emily e Harvey, de 13 anos, encaixam-se nesta última categoria – estudam em escolas diferentes. A mãe, Alicia Glover, realça que foi decidido “logo no início que o melhor a fazer seria colocá-los em escolas diferentes. Cada um tem a sua vida e os seus amigos. São muito próximos, mas independentes ao mesmo tempo.”

“Nós estivemos na mesma escola durante alguns anos. Mas depois a Emily mudou. No início, era estranho chegar a casa e ficar sozinho com a minha mãe. Mas depois habituei-me e as coisas voltaram ao normal”, conta-nos Harvey.

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