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"Enquanto esperava": uma metáfora da Síria para resistir ao desespero

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"Enquanto esperava": uma metáfora da Síria para resistir ao desespero

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A peça de teatro “Enquanto esperava” é descrita como uma metáfora do que se passa, hoje, na Síria.

A peça de teatro “Enquanto esperava” é descrita como uma metáfora do que se passa, hoje, na Síria. No centro do palco, vemos um jovem em coma depois de ter sido agredido. À volta dele, a família enfrenta a brutalidade do presente e o passado reprimido.

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Uma das razões pelas quais continuo a fazer teatro é porque se trata de um instrumento de resistência. O teatro ajuda-nos a resistir ao desespero e à depressão. Hoje em dia, ser sírio e acreditar no futuro da Síria é muito difícil. É difícil sair do desespero e da depressão quando não conseguimos ver o fim desta agonia

A peça da autoria do dramaturgo Mohammad Al-Attar foi apresentada recentemente no Centro Cultural Onassis, em Atenas.

“Achei que esta história era uma excelente metáfora da Síria, das condições atuais no país e da situação complicada em que vivemos. O coma é uma zona cinzenta entre a vida e a morte, entre desistir ou continuar a lutar para sobreviver. Penso que em certa medida é essa a história da Síria hoje em dia”, disse Mohammad Al-Attar.

O encenador Omar Abusaada vive em Damasco, mas, prepara e encena as suas peças no estrangeiro.

“Não posso trabalhar na Síria porque o meu trabalho tem uma dimensão política. Não posso trabalhar livremente. A vida quotidiana é muito difícil. Refiro-me à eletricidade, ao aquecimento e aos transportes”, contou o encenador sírio.

Para o autor da peça, o trabalho teatral é uma forma de resistir à depressão e uma maneira de informar o público sobre a situação na Síria.

“Uma das razões pelas quais continuo a fazer teatro é porque se trata de um instrumento de resistência. O teatro ajuda-nos a resistir ao desespero e à depressão. Hoje em dia, ser sírio e acreditar no futuro da Síria é muito difícil. É difícil sair do desespero e da depressão quando não conseguimos ver o fim desta agonia”, afirmou Mohammad Al-Attar.

A peça estreou em Bruxelas em maio e, em breve, sobe ao palco nas cidades francesas de Marseille e Lille.