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A preservação dos oásis marroquinos


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A preservação dos oásis marroquinos

As alterações climáticas estão a ameaçar o maior oásis do mundo, situado em Marrocos. Para preservar esta e outras ilhas de vegetação, as autoridades marroquinas desenvolveram um vasto projeto de proteção. Venha descobri-lo na nossa série a caminho da COP22.

O maior oásis do mundo encontra-se na região de Tafilalet, no sul de Marrocos. Na verdade, esta área acolhe um conjunto de oásis, que se estende ao longo dos vales dos rios Ziz e Ghéris, entre as cidades de Erfoud e Rissani. A promoção do ecoturismo e a valorização do património estão na linha da frente do progresso desta zona.

“Foi criado um vasto programa nacional que se destina a implementar os recursos necessários para um desenvolvimento sustentável que permita proteger o ambiente, incrementar a preservação do património cultural e criar emprego”, explica-nos Bachir Saoud, consultor do Ministério da Agricultura e Pescas.

E, depois, o fator primordial que é… a água e a diversificação do seu acondicionamento e distribuição, seja através de poços, galerias subterrâneas, reservatórios, canais de irrigação ou barragens.

“Há séculos que construímos sistemas adaptados ao nosso contexto. Temos as galerias khettara, barragens, depósitos… Tudo isto faz parte agora do programa ‘Marrocos Verde’. Introduzimos também métodos inovadores que permitem poupar água, como o sistema de irrigação gota a gota”, salienta Mohamed Bousfoul, responsável da Direção-Geral de Agricultura de Tafilalet.

Outro vetor é a preservação das espécies vegetais autóctones, como as tamareiras, reproduzidas em laboratório através do método da organogénese. “Produzimos sobretudo tamareiras. Temos uma capacidade de cerca de 100 mil plantas por ano. A variedade mais recorrente é a Mehjoul. Mas temos outras como a Boufegouse e a Nejda”, diz-nos o diretor técnico do laboratório Maghreb Palm, Mounir El Bellaj.

A plantação deste tipo de palmeiras deve ser acompanhada de medidas acrescidas para garantir a sobrevivência em terrenos muitas vezes inóspitos. Segundo Abderahim Hilali, do mesmo laboratório, “estas plantas destinam-se aos pequenos agricultores que têm palmeirais e aos oásis marroquinos, para os ajudar a obter mais rendimentos e a enfrentar as consequências das alterações climáticas, que podem traduzir-se por secas bastante severas”.

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