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COP 22: Todos em "clima" de desafio a Donald Trump


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COP 22: Todos em "clima" de desafio a Donald Trump

“Ao nível das intenções, a ordem do dia para a COP 22 era pôr em marcha o Acordo de Paris para limitar a subida da temperatura do planeta a 1,5 graus. Mas, na prática, era a ocasião para a comunidade internacional debater as formas de conseguir esse objetivo. Ora, é na discussão dos detalhes que as coisas se complicam e é aqui que surge o risco de ceder a interesses nacionais”, afirmava o nosso correpondente, Grégoire Lory.

Mas acabou por ser a questão americana a concentrar as atenções das negociações de Marraquexe. Durante a campanha, Donald Trump denunciou longamente o acordo de Paris para lutar contra o aquecimento climático. Após o choque eleitoral, a comunidade internacional voltou a unir-se numa mensagem comum.

Bas Eickhout, deputado holandês dos Verdes sintetiza a mensagem: “O que se vê aqui é uma grande determinação por parte dos outros participantes, numa mensagem clara para os Estados Unidos: se quiserem sair do acordo cometem um erro porque o mundo está a seguir numa certa direção. Claro que podem sempre dizer, queremos ir noutra direção, mas será um pouco imbecil porque aí não haverá empregos. Se quiserem ter empregos, têm que seguir pelo caminho que o mundo segue. Esta foi a mensagem forte que saiu de Marraquexe”.

As ONG’s receavam ver o entusiamo diminuir menos de um ano após a assinatura do Acordo de Paris. Temiam que houvesse menos determinação no cumprimento das promessas feitas na capital francesa. Muita gente se interrogava sobre a utilidade e a consistência deste encontro de Marraquexe. Mas esta COP 22 permitiu esclarecer muitas dúvidas.

“Esta COP foi importante em termos de irreversibilidade. Irreversível, em primeiro, no campo político. Conseguir que este acordo pudesse definir aqui os modos de funcionamento; conseguir também que pudéssemos decidir um novo encontro mundial em 2018 para fazer o ponto da situação dos avanços e para podermos acelerar a ação. Podemos igualmente falar de irreversibilidade no conjunto das mensagens políticas que foram deixadas pelos chefes de Estado e de governo, garantindo que os países estão preparados para assumirem os seus compromissos”, afirma Pierre Canet, responsável pelo Clima e Energia na WWF.

Outro facto importante desta COP 22 foi a forte representação do setor industrial. A implicação deste setor é considerada fundamental para a concretização dos objetivos na luta contra o aquecimento climático. Em Marrquexe, os governos, a sociedade civil e o mundo económico encontraram o entendimento, mas a rapidez com que as coisas evoluem é ainda diferente de uns para outros, lembra a representante das Nações Unidas no CAN a rede de ação pelo clima na Europa, Ulriikka Aarnio. “Neste momento, a economia real avança mais rápido que os governos. Por isso podemos imaginar e esperar que haja muitos super-projetos e que possamos ter entusiasmo em todo o mundo para fazermos mais pela economia de baixo carbono. Estamos, de facto, a falar todos dos mesmos objetivos, mas os governos ainda precisam de acelerar o passo porque a transição necessária é enorme”.

Marraquexe enviou, assim, sinais bastante positivos, após a esperança alcançada com o acordo de Paris. Mas para os defensores do clima, o combate tem que continuar. As ONG’s não se cansam de recordar que os comprmissos agora assumidos não permitem fixar o aquecimento climático abaixo dos dois graus.

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