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Alunos do secundário recriam por dois euros medicamento que custa 700 euros


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Alunos do secundário recriam por dois euros medicamento que custa 700 euros

Um grupo de estudantes do 11.° anos da escola secundária Sydney Grammar School, na Austrália, conseguiu recriar em laboratório, durante os tempos livres, um medicamento considerado essencial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à malária e que pode ser usado também contra a toxoplasmose e o VIH (o vírus na origem da SIDA).

O maior feito deste grupo de estudantes é ter conseguido criar o medicamento a um custo muitíssimo mais baixo do que é exigido no mercado pelo original, o Daraprim, pelo qual um só comprimido vale nas farmácias mais de 700 euros. A versão recriada pelos alunos australianos permite produzir um só comprimido por 1,8 euros.

“Foram muitos testes, erros e repetições. Experimentámos com diferentes condições para verificar quais as reações que recriavam o Daraprim. Por vezes, foi uma montanha russa de emoções”, recordou Brandon Lee, um dos estudantes envolvidos no projeto Open Source Malaria, reconhecendo que o facto de o grupo ser composto por “alunos do secundário” ajuda a “prender a atenção do público em geral e mostrar que até simples estudantes são capazes de criar esta droga a um preço muito reduzido.”

O professor de química Matt Todd é um dos responsáveis do Open Source Malaria e explica-nos que o objetivo deste projeto é “procurar novos medicamentos para esta doença que mata duas mil pessoas por dia”. “Muitas delas crianças”, sublinha. “Pegamos em pontos de partida das grandes farmacêuticas e melhoramo-los para serem candidatos a medicamentos (comercializáveis)”, acrescenta o professor.

O Daraprim, nome comercial do medicamento Pirimetamina, é um antiparasita utilizado contra a toxoplasmose, a malárias e até o VIH.

Em agosto do ano passado, a empresa Turing Pharmaceuticals, propriedade do multimilionário norte-americano Martin Shkreli, comprou os direitos de comercialização deste medicamento e inflacionou o preço dos cerca de 13 euros da altura para os quase 700 euros, por comprimido de 25 miligramas.

A decisão de inflacionar o produto foi justificada na altura pelo empresário como uma forma de extrair dinheiro às seguradoras para financiar a pesquisa por medicamentos ainda melhores. Shkreli garantiu, também na altura, que qualquer pessoa nos Estados Unidos que não estivesse coberta por um seguro de saúde poderia ter acesso de forma gratuita ao fármaco — e isso mesmo está expresso na página de internet oficial do produto.

Tornado famoso há um ano, por exemplo, como “o homem mais odiado do mundo”, devido à inflação de um medicamento considerado essencial para a saúde pública pela OMS , Martin Shkreli já reagiu ao feito dos alunos da Sydney Grammar School através de um vídeo publicado na internet e que pode ser visto em baixo.

“Devemos congratular estes estudantes pelo interesse deles pela química e ficar entusiasmados pelo que ainda está por acontecer neste século XXI”, afirmou Shkreli, acrescentando ser esta descoberta na Austrália “a prova de que a economia do século XXI vai resolver os problemas dos humanos através da ciência e da tecnologia.

“Soube hoje que há um país chamado Australia. Parece que é uma ilha.”

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