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Líderes de Chipre voltam à concertação pela reunificação da ilha


Suíça

Líderes de Chipre voltam à concertação pela reunificação da ilha



Os líderes cipriotas gregos e turcos iniciaram, esta segunda-feira, em Genebra, novas negociações, sob o auspício da ONU, para a reunificação da ilha, dividida há mais de 40 anos.

O presidente da República do Chipre, o cipriota grego, Nicos Anastasiades, e o líder da República Turca de Chipre, Mustafa Akinci, chegaram, ao edifício da ONU, nesta cidade suíça, ao início da manhã.

O processo de negociações, iniciado em maio de 2015 foi interrompido em novembro último devido à profundas divergências entre as duas partes no que diz respeito às questões territoriais, de segurança e à restituição de propriedades confiscadas.









O contexto



Desde 1974 – altura em que a Turquia invadiu o norte da ilha, em resposta a um golpe de Estado dos cipriotas gregos, que pretendiam unir Chipre à Grécia – que as duas comunidades, cipriota grega e cipriota turca, estão separadas.

Mas as sementes da divisão vinham de trás, desde a independência de Chipre em relação à Grã-Bretanha, em 1960.

Atualmente vivem nesta ilha dividida, cerca de um milhão de habitantes. Os cipriotas turcos no norte da ilha, os cipriotas gregos, enquanto República do Chipre, e parte da União Europeia, desde 2004, no sul. Estão separados por uma das forças de manutenção de paz mais antigas do mundo.



Os pontos da discórdia



Para se chegar a uma solução de paz para o território é preciso encontrar o consenso. Difícil já que os pontos de discórdia são muitos. O objetivo é a criação de um Estado federal, composto por duas entidades distintas, mas é preciso delimitar fronteiras e este é um dos principais pontos de desacordo entre cipriotas gregos e cipriotas turcos.

Antes da divisão do país os cipriotas turcos representavam apenas 18% da população, ainda assim, e depois da partição, ficaram a controlar 6% do território total da ilha. Nas anteriores negociações O líder cipriota grego propunha que estes passassem a controlar 28,2% do território, o líder cipriota turco pretendia controlar 29,2%.

Outra questão, que causa tensão entre as duas partes, é a das pessoas que ficaram sem as suas propriedades, principalmente de cipriotas gregos que perderam os seus terrenos para cipriotas turcos, muitos deles chegados, posteriormente, à ilha. A situação inversa também acontece mas será menos flagrante.



*A questão militar



A questão dos efetivos turcos, cerca de 30,000, que estão estacionados no norte da ilha é outro dos pontos de crispação e que pode minar as negociações. O lado grego insiste que estas forças têm de ser desmobilizadas, turco diz que elas permanecerão.

Grécia, Turquia e Grã-Bretanha são os três garantes de Chipre, depois do tratado de 1960, que concedeu a independência à antiga colónia. O Reino Unido mantém, em Chipre, duas bases estratégicas que estão a ser usadas em operações contra o grupo Estado Islâmico.

Londres diz-se disposta a abandonar cerca de 49% do terreno de que dispõe, atualmente, para facilitar os ajustes territoriais.



A questão do referendo



Mas não basta que as autoridades cipriotas gregas e cipriotas turcas cheguem a acordo, para que se possa reunificar a ilha. Qualquer compromisso alcançado tem de ser referendado nas duas comunidades, separadamente.

Um anterior plano para a paz, submetido a referendo em 2004, foi aceite pelos cipriotas turcos mas rejeitado pelos cipriotas gregos.

Espera-se nova votação em junho.



A esperança no fim do impasse



Esta é “uma oportunidade histórica”, para o novo Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que deverá participar nas negociações na quinta-feira.

“Perguntem-se quando tudo terminar” – respondeu Nicos Anastasiades aos jornalistas, em Genebra, à pergunta sobre se está otimista em relação a estas negociações.

Mustafa Akinci também se mostra cauteloso nas palavras: “Devemos ser cautelosos, não somos pessimistas, mas não vejo necessidade de termos expectativas exageradas de que tudo aconteça, esperamos uma semana difícil.”