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EUA e Canadá ao lado das mulheres e de mão dada apesar dos diferendos


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EUA e Canadá ao lado das mulheres e de mão dada apesar dos diferendos

O novo Presidente dos Estados Unidos e o primeiro-ministro do Canadá comprometeram-se esta segunda-feira em manter uma forte aliança bilateral apesar de alguns diferendos que possam surgir no caminho.

Donald Trump e Justin Trudeau, respetivamente, são dois políticos com posições distintas em diversas matérias, sendo duas das mais notórias divergências a gestão da imigração e o acolhimento de refugiados.

Depois do japonês Shinzo Abe e da britânica Theresa May, Justin Trudeau foi o terceiro chefe de Governo estrangeiro a visitar Donald Trump desde que este tomou posse da Casa Branca, a 20 de janeiro.

O primeiro-ministro canadiano foi recebido por Trump, em Washington, por volta das 11:00 horas da manhã (17:00, em Lisboa) e cerca de três horas depois ambos enfrentavam os jornalistas numa conferência de imprensa em que começaram por ler declarações previamente redigidas e muito diplomáticas.

“Senhor primeiro-ministro, prometo trabalhar consigo e perseguir os principais interesses comuns. E isto inclui uma reforçada relação comercial entre os Estados Unidos e o Canadá; também inclui um mais seguro, eficaz e responsável cruzamento de fronteiras, seja em turismo ou migração; e ainda uma parceria mais próxima em termos de segurança nacional e internacional”, afirmou Donald Trump.

Expressando-se ora em inglês ora em francês, os dois idiomas oficiais do Canadá, Justin Trudeau assumiu que “as relações entre vizinhos são muito complexas”. “Não vamos estar sempre de acordo em tudo, mas devido ao nosso profundo e sólido respeito mútuo vamos ser capazes de navegar por estas complicações e ainda mantermo-nos fortes aliados e amigos”, perspetivou o chefe do Governo canadiano.

A sessão de perguntas dos jornalistas incidiu sobretudo nas questões da imigração e dos refugiados, um tema inicialmente posto de lado na “ementa” desta reunião, mas que Justin Trudeau deixou perceber ter estado também sobre a mesa.

Donald Trump defendeu as medidas que tem vindo a tentar implementar, incluindo o frustrado bloqueio à entrada no país de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, garante que têm o objetivo de “evitar muitos males” e justificou a suspensão do programa de acolhimento de refugiados com a necessidade de “não deixar entrar o mal” nos Estados Unidos.

Justin Trudeau garantiu não pretender dar lições ao Presidente dos Estados Unidos, mas garantiu que o Canadá vai manter-se aberto aos refugiados, destacando inclusive aqueles cuja origem será a mais sensível, os sírios. “O Canadá vai continuar com a política de abertura a imigrantes e refugiados, sem comprometer a segurança”, prometeu.

Donald Trump falou ainda da promessa eleitoral, que garante está a cumprir, sobre a detenção de imigrantes ilegais no país com o objetivo de “capturar criminosos com antecedentes de abusos e problemas” e garantiu já terem sido expulsas do país muitas pessoas perigosas.

“Estamos, de facto, a apanhar pessoas que são criminosos, e em alguns casos criminosos muito muito perigosos, com tremendos cadastros de abusos e problemas. Esta Administração está a fazer um grande trabalho”, elogiou Trump.

O Secretário de Estado da Segurança interna, John Kelly, revelou, entretanto, em comunicado a detenção de mais de 680 imigrantes ilegais em operações recentes, das quais três quartos já haviam sido condenados por crimes, que vão do homicídio à condução sob influência de álcool. O Presidente dos Estados Unidos prometeu na tomada de posse expulsar do país entre dois a três milhões de imigrantes com cadastro criminal.

Mais poder às mulheres canadianas e norte-americanas

Antes da reunião a dois, Trump e Trudeau partilharam a mesa com destacadas empresárias de ambos os lados da fronteira para debater a desigualdade das mulheres no acesso ao mercado de trabalho.

Na reunião oficial em que terá partilhado a mesa com o maior número de mulheres desde que tomou posse, Donald Trump disse ter conhecimento que “a grande força das mulheres pode fazer melhor do que outra pessoa qualquer” e comprometeu-se a enfrentar “as barreiras que se colocam às mulheres e às empreendedoras, incluindo no acesso ao capital, aos mercados e, ainda mais importante, às redes”, destacou.

Justin Trudeau, por seu turno, anunciou “a criação do Conselho Canadá-Estados Unidos para o Avanço das Mulheres Empreendedoras e Líderes Empresarias” com o objetivo de “promover o crescimento de empresas detidas por mulheres e contribuir ainda mais para o crescimento de ambas as economias e competitividade.”