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Conflito israel-palestiniano: Trump admite solução de um só estado


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Conflito israel-palestiniano: Trump admite solução de um só estado

Durante décadas, todos os esforços de paz entre israelitas e palestinianos têm tido por base uma solução de dois estados. Esta quarta-feira, porém, o novo Presidente dos Estados Unidos mudou a agulha da Casa Branca e admitiu apoiar a solução de um só estado e dois sistemas.

“Estou a olhar para a solução de dois estados e para a de um estado. Prefiro a que ambos os lados gostam. Estou muito satisfeito com a que ambos gostam. Posso viver com qualquer uma delas. Se ‘Bibi’ (Netanyahu) e os palestinianos… se Israel e os palestinianos estão felizes, eu estarei feliz com o que eles mais gostarem”, disse, de forma diplomática, mas admitindo o contrário do que há mais de 20 anos a Casa Branca vem defendendo.

O problema é que ambos os lados, após décadas de negociações, nunca estiveram de facto plenamente de acordo e muito menos em sintonia na questão de soberania.

Em 1988, Yasser Arafat proclamou pela primeira vez o estado Palestiniano, evocou a coexistência de dois estados e com isso reconheceu também o Estado de Israel.

Cinco anos depois, após duras negociações, os acordos de Oslo colocaram lado a lado os dois arqui-inimigos do Médio Oriente, numa mediação do então presidente norte-americano, Bill Clinton, em Washington.

Foi ao ponto de Yasser Arafat tomar a iniciativa e apertar a mão a Ytzak Rabin. Era o selar de um compromisso de paz e de reforço da solução de dois Estados, que valeu inclusive a Arafat, Shimon Peres e Rabin o Nobel da Paz.

Agora, desde Ramallah, o negociador chefe palestiniano reage à mudança da Casa Branca e avisa: “O que o primeiro-ministro de Israel está a pensar, a solução de um estado com dois sistemas e a imposição do governo militar aos palestinianos, é o ‘apartheid’.”

“Isto não é exequível no século XXI”, acrescenta Saeb Erekat.

De facto, a situação territorial da Palestina mudou muito desde 1967. Atualmente, com a Fixa de Gaza totalmente sob controlo palestiniano, a Cisjordânia divide-se em três zonas com níveis de administração distintos.

A zona A inclui 20 por cento do território palestiniano e 50 por cento da respetiva população, com a gestão civil e militar ser também palestiniana.

A zona B integra outros 20 por cento de terra e 40 por cento de palestinianos. A gestão civil é palestiniana; a militar é partilhada com os israelitas.

A zona C, por fim, é a maior, 60 por cento do território, mas tem a menor presença de palestinianos (6 por cento) e é totalmente controlada por Israel.

A política de colonatos imposta por israelitas há anos tem vindo a reduzir drasticamente o território palestiniano. No final de dezembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidos, com a inédita abstenção dos Estados Unidos em propostas contra as políticas de Israel, aprovou a imposição a Israel do fim imediato da atividade de colonatos nos territórios palestinianos.

Donald Trump criticou de pronto a abstenção norte-americana na votação e avisou que após a tomada de posse tudo seria diferente. Pela mesma altura da entrada de Trump na Casa Branca, Israel retomou em força as autorizações de novos colonatos.

Perante a condenação da comunidade internacional, o novo Presidente dos Estados Unidos recomendou alguma contenção neste reatar israelita da política de colonatos, mas as autorizações continuam e com a ameaça de a constituição mudar para permitir a anexação de todo o território palestiniano.

Em termos diplomáticos, a solução, neste momento, mantém-se baseada na coexistência de dois estados. No entanto, com um deles desfeito em pedaços, muitos veem esta hipótese como inviável e levantam questões.

Quais seriam as fronteiras exatamente? Seria melhor a solução de um estado de duas nações, mas com que soberanias? E com que direitos para os palestinianos?

Com muros há muitos levantados e entre riscos demográficos e para a democracia, Israel prefere para já manter o “status quo” na região e os palestinianos parecem continuar a ser os grandes derrotados de todo este impasse e arrastar da divisão.