Última hora

Última hora

Debate televisivo: A França entrou finalmente em campanha eleitoral

Pela primeira vez em França, os cinco principais candidatos à eleição presidencial enfrentaram-se em debate na televisão.

Em leitura:

Debate televisivo: A França entrou finalmente em campanha eleitoral

Tamanho do texto Aa Aa

Pela primeira vez em França, os cinco principais candidatos à eleição presidencial enfrentaram-se em debate na televisão. O debate foi precedido de uma polémica sobre a ausência dos seis outros candidatos. Foi uma escolha da estação de televisão TF1.

Interrogados sobre os temas mais quentes da campanha, os candidatos foram avaliados por painéis de comentadores e pelo público. Os resultados foram imedidatamente divulgados pelos institutos de sondagens. Mélenchon e/ou Macron foram considerados os mais convincentes.

E Jean-Luc Mélenchon, o candidato do movimento “França Insubmissa” fez brilhar os seus talentos de orador e criou momentos fortes, como quando se dirigiu aos jornalistas que conduziam o debate: “Admirei os vossos pudores de gazelas, quando se diz que a campanha foi poluída pelos escândalos financeiros de alguns. Perdão. Eu não! Quero precisar isto. Aqui só há duas pessoas visadas. Nós três não temos nada a ver com isso. Não nos metam no mesmo saco”.

Depois, virou-se para Marine Le Pen:
“Você não pode pôr uma polícia do vestuário nas ruas. Tem intenção de proibir às pessoas de pintarem os cabelos de verde ou de vestirem saias muito curtas? E prosseguiu:
“Limitar os clandestinos? E como é que os conta? É uma velha discussão. Estamos a propôr redes cheias de buracos. Pode inventar quotas, bilhetes, .. vai atirá-los ao mar, bater-lhes? Isso não é sério”.

Emmanuel Macron marcou os espíritos sobretudo nesta troca de palavras com Marine Le Pen. Ela lançou o ataque: “Há alguns anos não havia burkinis nas praias – eu sei que o senhor os defende, senhor Macron”.
Ele respondeu: “Não por favor, Senhora Le Pen, você não fala por mim, eu não preciso de ventríloco. Garanto-lhe que estou bem e quando tenho qualquer coisa a dizer, digo-a claramente, é o meu hábito”.

O candidato do Movimento “Em Marcha”, que se diz nem de esquerda nem de direita, foi alvo de vários ataques e acabou por reagir com humor: “Ainda bem que cá estou, vocês iam aborrecer-se sem mim”.

A presidente da Frente Nacional não o poupou: “Sabe que mais, senhor Macron, o senhor tem um grande talento. Conseguiu falar sete minutos e eu sou incapaz de resumir o seu pensamento. Você não disse nada. É o vazio sideral!”

François Fillon, o candidato dos Republicanos, a contas com a justiça por causa dos empregos fictícios da família, procurou uma postura formal e esteve quase inaudível durante a primeira hora do debate, mas teve trocas acesas particularmente com Marine Le Pen: “O verdadeiro serial-killer do poder de compra dos franceses é Madame Le Pen com a saída do euro e o restabelecimento do franco”

A resposta veio, imediata: “Senhor Fillon, isso chama-se o projeto medo, como antes do Brexit e da eleição de Donald Trump.

O candidato do Partido Socialista, Benoit Hamon levantou várias questões a Macron sobre os lobbies e o financiamento da campanha:
“Pode o senhor garantir que entre as pessoas mais afortunadas que fizeram doações importantes a si ou à sua campanha não há diversos quadros da indústria farmacêutica, diversos quadros da idústria petrolífera ou química? Diversos quadros da indústria bancária? Só lhe pergunto isto. O senhor pode dizer-me isso?”.

Macron alegou que a identidade dos doadores está protegida pela lei.
O debate, que durou cerca de três horas e meia, foi favorável a Mélenchon e Macron. Está dado o pontapé de partida da campanha das presidenciais. Os franceses esperam já o próximo confronto, marcado para 4 de abril, desta vez com os 11 candidatos.