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360°: As patrulhas que protegem as estações das avalanches

O cenário é aparentemente tranquilo, mas a verdade é que os Alpes têm sido palco de várias avalanches mortais em zonas não vigiadas. Fomos até à estação francesa de Courchevel para saber como se estão a reforçar as medidas de segurança.

Antes da abertura das pistas, há patrulhas cuja missão é desencadear artificialmente avalanches. As cargas explosivas utilizadas são particularmente fortes, exigindo um manuseamento muito preciso.

Nicolas, um dos patrulhadores, explica-nos que essas cargas “são ligadas a uma linha de segurança. Depois procede-se à detonação. Para consumir um metro de rastilho, bastam entre 90 a 120 segundos. É o mínimo necessário para desencadear uma explosão. É uma tarefa que tem de ser efetuada com muita calma. Há passos muito específicos. Quando o rastilho já está a queimar, projeta-se a carga para o sítio pretendido”.

O recurso à dinamite não é a única forma de gerar uma avalanche. Os patrulhadores também podem simplesmente esquiar em zonas sensíveis, onde a neve se acumulou em abundância. Entre o material que levam encontra-se um DVA – um detetor de vítimas – e airbags.

Em Courchevel, as equipas dispõem ainda de um sistema de prevenção que consiste numa espécie de rede de tubos de gás que alcança pontos remotos. A partir da central de controlo da estação é possível ativar uma chama que vai provocar uma explosão na outra extremidade do tubo, deslocando assim grandes quantidades de neve.

A responsabilidade de François é bem diferente: treinar cães para encontrar vítimas. Este patrulhador diz-nos que estes cães são preparados “para detetar o cheiro do corpo humano debaixo de neve. O treino começa desde que são pequenos cachorros. A partir dos 15 meses de idade, passam a estar operacionais. Mas, para criar uma equipa realmente eficaz, é preciso esperar até aos 2 anos”.

Só depois de todos estes fatores verificados, é que a estação abre portas. Alguns minutos depois, os primeiros esquiadores do dia começam a aproveitar as pistas.

Courchevel é das estações francesas mais antigas. O seu diretor, Thomas Thor-Jensen, salienta que “o resort tem mais de 100 pistas que totalizam cerca de 150 quilómetros. São necessários à volta de 500 trabalhadores para garantir o funcionamento do início de dezembro até ao final de abril. O volume de negócios ronda os 60 milhões de euros e os lucros líquidos situam-se nos 5 milhões. Tudo o resto vai para os salários, os custos operacionais e os investimentos estruturais. O mito do ‘ouro branco’ ainda existe, mas não é tão apelativo como antigamente”.

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