Última hora

Em leitura:

Presidenciais francesas sem um favorito a cinco dias da primeira volta


França

Presidenciais francesas sem um favorito a cinco dias da primeira volta

A campanha para a primeira volta das presidenciais francesas entra na reta final, num momento em que nenhum dos 11 candidatos parece conseguir uma vantagem decisiva face aos rivais.

Segundo o último estudo de opinião, o liberal Emmanuel Macron vai à frente em intenções de voto, a apenas 1% à frente de Marine Le Pen e a cerca de quatro pontos do candidato de esquerda Jean-Luc Mélenchon e do conservador François Fillon.

Imigração e terrorismo: os derradeiros argumentos

A cinco dias da primeira volta , Le Pen tenta recuperar a vantagem perdida face a Macron, depois de ter prometido ontem uma moratória contra a migração legal.

Macron, antigo ministro das Finanças e ex-banqueiro, continua a apostar no seu programa económico como principal argumento, ao mesmo tempo que começa a entrar no terreno da adversária, nomeadamente a questão da luta contra o terrorismo.

O candidato do movimento “En Marche” recrutou recentemente para a sua equipa de campanha o antigo comandante da brigada antiterrorista francesa e propôs a criação de um grupo de trabalho específico para lidar com a ameaça do Estado Islâmico.

Mélenchon “pulveriza” PS

Cada vez mais perto do pelotão da frente, Jean-Luc Mélenchon é agora o candidato favorito da esquerda, com mais de 11 pontos de vantagem face ao rival socialista, uma das subidas mais espetaculares das sondagens.

O resultado de uma campanha bem presente nas redes sociais, com vídeos como este, publicado ontem, em que se retrata a França em 2018, um ano após a alegada vitória do candidato.

Fillon endurece discurso

O conservador Fillon, por seu lado, continua a perder terreno, incapaz de estancar o escândalo dos empregos fictícios da mulher e dos filhos. Apoiado, no entanto, pela maioria dos eleitores do seu partido, Fillon ensaia nos últimos dias uma posição mais à direita com uma piscadela de olho ao eleitorado conservador católico e com o tema da imigração a regressar aos seus discursos e intervenções de campanha, como em Calais.

O socialista Benoît Hamon, com apenas 8% de intenções de voto, tenta, para já sem sucesso, evitar um resultado catastrófico para o partido atualmente no poder.

Os “antissistema” desafiados pelos favoritos

No fundo das sondagens, a direita soberanista e eurocética de Nicolas Dupont-Aignan é a mais votada entre os pequenos candidatos, com 4% de intenções de voto, seguida dos anticapitalistas de Philippe Poutou, com 2% de votos.

Um voto de protesto e “contra o sistema” que parece desta vez concentrar-se antes de mais nos candidatos da linha da frente, nomeadamente Marine Le Pen e Jean Luc-Mélenchon.

Hologramas e grandes comícios

Com apenas quatro dias de campanha até à primeira volta, os próximos dias vão ser marcados pelos grandes comícios nas grandes cidades, como Paris, Marselha, Toulouse ou Nantes.

De destacar, esta terça-feira, o regresso de Mélenchon aos comícios via holograma. O candidato do movimento de esquerda, “A França insubmissa” deslocou-se a Dijon, onde pronunciou um discurso, transmitido em simultâneo em Nantes, Nancy, Grenoble, Clermont-Ferrand e na ilha francesa da Reunião.

Quarta-feira será o dia dos grandes comícios, com Marine Le Pen em Marselha, Macron em Nantes e Fillon e Hamon em locais diferentes de Paris.

Segundo os institutos de sondagem, um em cada três franceses permanece indeciso.

A segunda volta do sufrágio decorre no dia 7 de maio.