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Gastos militares aumentam nos EUA e Europa

Os gastos militares cresceram nos Estados Unidos e na Europa, mas desceram nos países exportadores de petróleo

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Gastos militares aumentam nos EUA e Europa

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A despesa mundial total em militarização subiu para 1,5 biliões de euros em 2016, um aumento de 0.4 por cento em termos reais desde 2015, de acordo com números do Instituto de Pesquisa da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI, em Inglês).No geral, houve um aumento nos Estados Unidos e na Europa, mas um decréscimo nos países exportadores de petróleo.

Na América do Norte, gastos militares viram o primeiro aumento desde 2010, enquanto na Europa Ocidental foi o segundo ano consecutivo de crescimento.
A actualização anual detalhada da base de dados de gastos militares do SIPRI está acessível em www.sipri.org

As tendências e padrões em gasto militar variam consideravelmente de região para região.
O gasto cresceu continuadamente na Asia e Oceânia, Europa de Leste e Central e Norte de África. A contrastar, desceu na América Central e Caraíbas, no Médio Oriente (com base em países para os quais há dados disponíveis), América do Sul e África subsariana.

Os Estados Unidos voltaram a despender mais e mantêm-se enquanto país com o maior gasto anual em militarização do mundo, ao passo que a Arábia Saudita reduziu significativamente, em cerca de 30%, a despesa militar, mesmo estando envolvida em várias guerras regionais: é o quarto país com maiores gastos militares, abandonando o terceiro lugar de 2015.
A China, logo atrás dos Estados Unidos, gastou mais 5,4%, mas menos do que em anos anteriores. e Rússia gastou mais 5,9%, sendo o terceiro país com maior despesa na tabela. A India é o quinto país a gastar mais em militarização, num crescimento desde 2016 de 8,5 %.

O crescimento nos gastos dos Estados Unidos da América em 2016 pode indiciar o fim da contenção na despesa, resultante da crise económica e da retirada de tropas americanas do Afeganistão e do Iraque. Ainda assim, é um gasto 20% abaixo do ano com maior gasto registado, em 2010.

Foi o segundo ano consecutivo de crescimento de despesa militar na Europa ocidental, seguindo-se esse padrão em toda o território, com excepção de 3 países. A Itália registou um acentuado crescimento, com mais 11% entre 2015 e 2016.
Os países com maior crescimento relativo no poderio militar estão na Europa Central. Uma hipótese plausível é a de isso indiciar a percepção de uma ameaça por parte da Rússia, apesar de os gastos desta equivalerem a 27% do gasto total dos membros europeus da OTAN.

A descida de lucro com petróleo e os problemas económicos que daí derivam terá forçado muitos países exportadores a reduzir a despesa militar. A Arábia Saudita registou o maior desinvestimento absoluto, a gastar menos 25,8 biliões de dólares que representam menos 30%, a Venezuela gastou menos 56%, o Sudão do Sul menos 54% e o Azerbeijão menos 36%, o mesmo que o Iraque.
Angola, Equador, Cazaquistão, México, Omã e Perú também tiveram um desinvestimento significativo em militarização.

Outros dados:

♣ A despesa militar mundial em 2016 correspondeu a 2,2% do PIB global. do World military spending in 2016 accounted for 2.2 per cent of global GDP. Despesas militares enquanto parte do PIB foram mais altas no Médio Oriente, com uma média de 6% do PIB em 2016, enquanto as mais baixas se registam nas Américas, com uma média de 1,3% do PIB.
♣ Os gastos desceram 1,3% em Africa durante 2016, no segundo ano de descida depois de 11 anos consecutivos de subida. Isto deve-se sobretudo a cortes na despesa por parte de países exportadores de petróleo na África subsariana (por ex.Angola e Sudão do Sul).
♣ Na Ásia e Oceânia, a despesa militar subiu 4,6% em 2016. Pode relacionar-se isto com as tensões territoriais no Mar do Sul da China.
♣ Na América Central, Caraíbas e América do Sul, o desinvestimento combinado ronda os 7,8%, a um nível que não se registava desde 2007. Mais uma vez, atribui-se a queda às reduções orçamentais dos países exportadores de petróleo como Equador, México, Perú e Venezuela. A despesa do Brasil continuou a cair como resultado do agravar da crise económica.
♣ Não há estimativas para o Médio Oriente uma vez que não há dados disponíveis para vários países chave como, por exemplo, os Emirados Árabes Unidos. Em países onde os dados estão disponíveis, registaram-se subidas significantes no Irão e no Kuwait bem como descidas assinaláveis no Iraque e na Arábia Saudita.

  • Todas as percentagens são expressas em termos reais (preços de 2015).