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Crise do Golfo: A leitura de um especialista

Editor-chefe do site Rai al-Youm, Abdel Bari Atwan explica a crise do Golfo

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Crise do Golfo: A leitura de um especialista

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A região do Golfo foi atingida por um Tsunami diplomático depois da decisão de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Iémen e Egito de cortar laços com o Qatar e condenar o país ao isolamento.

Para compreendermos melhor a situação e as suas consequências, falámos com o editor-chefe do site Rai al-Youm, Abdel Bari Atwan.

euronews:
O que deu origem a esta crise e porque é que esta decisão foi tomada agora?

Abdel Bari Atwan:
“Penso que esta crise foi principalmente provocada pelo aproximar de Qatar e Irão. O Qatar mantém o seu apoio à Irmandade Muçulmana e também tem fortes ligações com o Hamas. Em 2014 existiu um acordo para o país cortar relações com o Irão e a Irmandade Muçulmana mas o Qatar não cumpriu este acordo.

Agora existe uma aliança Islâmica, uma NATO árabe, se se pode dizer, contra o Irão e que é patrocinada por Donald Trump e parece que o Qatar se quer distanciar desta aliança.”

euronews:
Que leitura faz das reações turcas, russas e iranianas a esta crise no Golfo?

Abdel Bari Atwan:
“Não acredito que a Turquia vá irá arriscar qualquer tipo de conflito com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egito e os Estados Unidos por causa do Qatar. Os interesses russos estão alinhados com os sauditas e não acredito que o Irão esteja disposto a entrar em guerra pelo Qatar. O Irão nem sequer entrou de forma direta na guerra síria e a Síria é um aliado… acha que o Irão o fará pelo Qatar?O que estes países estão indiretamente a dizer ao Qatar é para fazerem cedências e aceitarem as condições de Arábia Saudita e Emirados se quiserem paz.”

euronews:
O que podemos esperar nos próximos dias? Até onde pode chegar esta crise?

Abdel Bari Atwan:
“Nos próximos dias espero mais pressão no Qatar, já não existe confiança entre o Qatar e os seus oponentes. A última decisão foi tomada nesse sentido, para os qataris aceitarem as condições impostas pelos restantes países do golfo.

Caso isto não aconteça, creio que estes países irão passar ao plano B e acredito que isso possa passar por uma ação militar.”