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Paris celebra Thomas Pesquet e exibe novidades da ESA e NASA


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Paris celebra Thomas Pesquet e exibe novidades da ESA e NASA

O Salão de Aeronáutica de Paris é um ponto de encontro incontornável para o setor aeroespacial. Falámos com os responsáveis da ESA e da NASA, mas primeiro conversámos com Thomas Pesquet, o astronauta da ESA que acabou de regressar à Terra após 6 meses no espaço.

O momento é de recuperar, depois da massa óssea e muscular que perdeu durante a sua missão. Mas Thomas Pesquet é como um herói para os franceses. Portanto, nada mais natural do que ter o presidente Emmanuel Macron a saudá-lo num evento de dimensão mundial.

Jeremy Wilks, euronews: O Thomas está de volta. Como se sente física e emocionalmente?

Thomas Pesquet: Sinto-me ótimo. O regresso à Terra foi duro no início, mas readaptámo-nos rapidamente passadas umas horas. É incrível como o corpo humano se adapta ao espaço e depois, de novo, à Terra.

euronews: Já tem saudades de flutuar?

TP: Sim, já. No espaço, é como se tivéssemos superpoderes. Podemos voar, flutuar, deslocar cargas pesadas com um dedo apenas. Depois regressamos à Terra e perdemos todos esses superpoderes.

euronews: Em relação às experiências científicas que conduziu… Houve alguma que o marcou?

TP: Algumas, sim. Uma delas foi particularmente dolorosa. Tinha de empurrar o máximo possível contra um motor para medir a força e a torção dos músculos.

euronews: Quando se fala em ir a Marte, fala-se numa missão de pelo menos um ano. Estaria preparado para isso?

TP: É exequível. O mais duro é o regresso. Quando voltei à Terra, não consegui fazer nada durante horas, por causa da gravidade. Quem for a Marte tem de estar preparado para qualquer emergência. Tem de se manter em forma e estar preparado psicologicamente, porque não há contacto visual com a Terra. Na Estação Espacial, voamos à volta da Terra, não estamos assim tão longe de casa. Uma missão a Marte é completamente diferente. A mente tem de estar preparada.

“Está escrito no nosso ADN

Nem toda a gente no salão do Bourget pretende ir a Marte. Só todos aqueles relacionados com o setor aeroespacial. Quais são os planos da NASA para explorar o Planeta Vermelho? Foi o que perguntámos ao diretor interino, Robert Lightfoot.

euronews: A NASA pondera a possibilidade de enviar humanos a Marte. Mas, face aos bons resultados das sondas, não será mais seguro mandar apenas robôs?

Robert Lightfoot: Precisamos dos dois: pessoas e robôs. Os robôs podem explorar e dizer-nos aonde os humanos podem ir. Do ponto de vista da exploração em si, o objetivo é impulsionar a presença humana no espaço. É algo que está escrito no nosso ADN.

euronews: Quando é que haverá pessoas em Marte?

RL: Estamos a planear colocar humanos nas imediações de Marte lá para 2030. Há muito trabalho a fazer em termos de tecnologia. Estamos em desenvolvimento com os nossos parceiros, para trazer mais competências e conhecimentos a bordo. Vamos passar algum tempo em torno da Lua a testar os sistemas necessários. É ainda perto de casa, é mais fácil ver se funcionam corretamente.

euronews: Está a referir-se à cápsula Orion? Quando é que está previsto o voo tripulado à volta da Lua?

RL: A nossa primeira missão tripulada está prevista para 2022. Há outra, sem tripulantes, em 2019. E, mais uma vez, temos uma sólida colaboração com os nossos parceiros e acreditamos que se vai reforçar ainda mais quando os voos arrancarem.

“As pessoas percebem claramente as vantagens da exploração espacial”

As parcerias entre agências espaciais são imprescindíveis nas missões de grande escala. E isso sublinha o lado político da equação. Perguntámos a Jan Wörner, diretor-geral da ESA, a Agência Espacial Europeia, onde é que fica o Brexit no meio disto tudo.

Jan Wörner: O Brexit é entre o Reino Unido e a União Europeia. Nós enquanto ESA, enquanto um organismo intergovernamental, estamos um pouco à margem dessa questão. A Europa não se limita às fronteiras da União Europeia. A União Europeia precisa do Reino Unido e vice-versa. Acredito que haja uma boa solução.

euronews: E as empresas que operam no Reino Unido? Vão ter de abrir novas bases na Europa?

JW: Não lhe sei responder. Mas posso dizer-lhe que não é um critério no contexto da ESA. Nós temos a Suíça e a Noruega, que não fazem parte da União Europeia. Por isso, sabemos como lidar com isso.

euronews: Tem defendido o conceito de Espaço 4.0 e transmitido ao público aqui do Salão Aeronáutico de Paris. O que é que os cidadãos comuns lhe dizem sobre a exploração espacial?

JW: É muito interessante. Antes de mais, as pessoas dizem-se inspiradas pelo espaço. Isso é flagrante. E conseguem perceber claramente quais são as vantagens que a exploração espacial lhes pode trazer para o quotidiano.

euronews: Que tipo de missões é que o público gostaria de ver?

JW: Muitas vezes, falam-nos em missões de alto risco. Viajar até outro planeta, como o ExoMars, ou aterrar num cometa… São as missões que interessam às pessoas. Dizem-nos também que tudo isto lhes dá inspiração para sonhar com o futuro. O espaço deixa de assentar numa questão financeira para se tornar num assunto social.

A indústria do setor espacial aproveita também o encontro em Paris para fazer anúncios. O Grupo Ariane mostrou os progressos alcançados no novo foguetão Ariane 6 e revelou estar a desenvolver lançadores reutilizáveis. Os italianos da AVIO assinaram um acordo para efetuar três lançamentos do foguetão Vega. E a Thales Alenia Space continua a impulsionar o projeto do Stratobus, um dirigível estratosférico que pode complementar o trabalho dos satélites.

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