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Refugiados ajudam críquete a crescer na Alemanha


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Refugiados ajudam críquete a crescer na Alemanha

O críquete na Alemanha, tal como em Portugal, ainda não é um desporto popular, mas o entusiasmo tem vindo a crescer em torno desta que é, curiosamente, a segunda modalidade com mais adeptos do mundo devido à enorme adesão em países da antiga Commonwealht como a Austrália, a Índia, o Paquistão e, claro, o Reino Unido.

Este fim de semana, está a decorrer em Berlim o Festival de críquete promovido pela respetiva federação da Alemanha. A modalidade, que está em processo de candidatura à integração nos Jogos Olímpicos, está em crescendo no país e o factor positivo tem sido a onda de refugiados em busca do acolhimento.


“Para nós, é um golpe de sorte. Andamos sempre à procura de gente que queira jogar críquete. Não é importante a religião, a origem ou a língua… não há problema! É uma grande mistura de jovens de diferentes países e culturas”, explica-nos o britânico Brian Mantle, presidente da Federação Alemã de Críquete.

Novos jogadores oriundos do Afeganistão, do Paquistão e da Índia têm vindo a entrar todos os dias para equipas alemãs de críquete, aproveitando-se do jogo para aprender alemão e integrarem-se no país.

O resultado são mais de 250 novas equipas de críquete criadas na Alemanha só nos últimos quatro anos. Numa delas, joga Khial, um refugiado de 19 anos oriundo do Afeganistão e já internacional sub-19 pela Alemanha.

“O críquete ajudou-me a conhecer outras pessoas aqui na Alemanha, a trabalhar com elas. Mostrou-me ser possível para mim viver e trabalhar neste país. Neste desporto, é essencial o respeito. Sem respeito, não se pode jogar críquete”, destaca Khial.

Cerca de 80 por cento dos jogadores de críquete na Alemanha são refugiados. O presidente da Federação germânica está, contudo, confiante no crescente entusiasmo pela modalidade entre os jovens alemães.

“O críquete é a segunda modalidade com mais adeptos do mundo, mas aqui na Alemanha as pessoas não tem noção disso e nós queremos mudar essa situação. O meu sonho é ver a Alemanha qualificada para um Mundial de críquete. Ainda há um longo caminho até lá, mas é possível”, perspetivou Brian Mantle.

A correspondente da Euronews em Berlim diz ser “impressionante ver pessoas oriundas de zonas com diversos conflitos religiosos e políticas a jogarem críquete juntas”. “Este é um bom exemplo de integração.
Quem sabe, em breve a equipa alemã possa chegar à elite internacional com a ajuda deste novo impulso”, lança Jessika Zyfuss, a partir da capital alemã.

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