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Médicos contestam decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem


Turquia

Médicos contestam decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

A Ordem Profissional de Médicos de Ancara criticou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por ter rejeitado um pedido de dois professores, que desejam ser libertados da prisão por razões de saúde, depois de cinco meses de greve de fome. Ambos têm tomado suplementos líquidos para sobreviver.

Nuriye Gulmen, professora, e Semih Ozakca, professor da escola primária, pediram ao Tribunal com sede em Estrasburgo que ordenasse à Justiça turca deixá-los em liberdade. No entanto, o TEDH decidiu na quarta-feira que a detenção dos professores não implicava um risco para a saúde dos mesmos.




Os médicos turcos discordam da decisão e dizem que Gulmen e Ozakca deveriam ser trasladados para um hospital, já que a “prisão pode trazer problemas mesmo a pessoas em boas condições de saúde”.

“Deixar estas duas pessoas vulneráveis na prisão pode causar-lhes riscos que poderão ser letais”, disse o Bastonário Vedat Bulut, numa conferência de imprensa.

“A falta de proteínas é grave e diferentes órgãos poderão deixar de funcionar”, acrescentou Bulut.

Uma greve contra as detenções de Ancara

Os professores dizem que começaram a greve de fome para chamar a atenção para as cerca de 150 mil pessoas que perderam os postos de trabalho desde a tentativa de golpe de Estado militar de julho do ano passado. Desde então, o presidente turco, Tayyip Erdogan declarou que o país se encontrava em estado de emergência.

Ambos foram detidos depois de terem começado com a greve de fome, uma iniciativa levada a cabo pelo grupo de esquerda DHKP-C, que a Turquia considera como um grupo terroristas.

Ainda que não seja um Estado membro da União Europeia, a Turquia ratificou a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e é, desta forma, parte integrante da jurisdição do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

O advogado dos professores disse, no entanto, que a decisão do Tribunal Europeu foi de natureza política e disse que iria apelar ao Comité das Nações Unidas para os Direitos Humanos.