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Vacas e plantas com ligação à internet


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Vacas e plantas com ligação à internet

Será que as vacas precisam de internet? Como é que as novas tecnologias mudam a agricultura e nos ajudam a cuidar do meio ambiente? Um experiência inovadora de agricultores e engenheiros europeus coloca coleiras nas vacas – uma espécie de pulseira de fitness – com uma ligação constante à internet. De acordo com os agricultores, estes e outros aparelhos não só melhoram o bem-estar das vacas, como também ajudam nos negócios.

A família de Brian está à frente de uma quinta há três gerações, mas cuidar das vacas leiteiras nunca foi tão fácil. Brian recebe e-mails no smartphone do sistema informático da quinta que o alertam para possíveis alterações na saúde e na fertilidade da vaca. Os dados provêm dos colares que as vacas usam: “A coleira colar indica que houve uma queda nas médias de alimentação, no tempo médio de ruminação, ou na atividade da vaca. Qualquer um destes fatores pode ser um indicador que a vaca está doente ou está apenas a começar a ficar doente. O fator-chave é que estas coleiras conseguem detetar estes problemas antes de se tornarem realmente graves”, explica Brian Weatherup.

O ato de comer faz com que os músculos do pescoço se movam. Algo captado pelos sensores da coleira. Os dados são reunidos e processados. Os criadores das coleiras pretendem adicionar também um mecanismo de localização.

Os robôs de ordenha medem o volume e a composição do leite produzido por cada vaca. Os agricultores podem utilizar estes dados para melhorar a produtividade e o bem-estar dos animais. Estas e outras inovações estão a ser estudadas em 24 quintas do Reino Unido. fazem parte de um projeto de investigação europeu para tornar a agricultura mais sustentável e eficiente.

Segundo Brian, 6 meses depois da implementação das novas tecnologias, a produção aumentou 20% e a saúde das vacas melhorou. Os investigadores veem grande potencial na integração desta tecnologia em toda a cadeia de produção.

As dezenas de milhares de estufas em Almería, em Espanha, são também um local de estudo. Uma das estufas experimentais está equipada com vários sensores que mostram exatamente o estado das plantas.

“Estamos a tentar simplificar a aquisição dos dados dos produtores através de diferentes protocolos numa única base de dados na nuvem. Então, podemos usar a inteligência artificial e as grandes tecnologias de dados com esta base de dados para chegar a determinadas conclusões, que englobam toda a região, para comparar e melhorar ainda mais o trabalho dos produtores”, explica o professor Manuel Berenguel.

Mede-se a humidade do solo, o peso das plantas, a composição do ar e outros indicadores, para ajudar os agricultores a cultivar melhores produtos, ao mesmo tempo em que otimizam a irrigação e o uso de fertilizantes.

Os tomates foram colhidos, mas a recolha de dados continua. Aqui, é possível processar 2 milhões de quilos de tomates por dia – uma tarefa possível devido ao avanço da tecnologia. As máquinas tiram fotografias de cada tomate para os classificar automaticamente por tamanho, cor e até ao nível do gosto.

Os investigadores estão a trabalhar para combinar os dados das etapas de crescimento e de processamento numa única base de dados que acompanharia cada tomate da quinta até à loja. Algo que iria melhorar a segurança alimentar e ajudaria a tornar toda a cadeia mais eficiente.

Os resíduos de zonas urbanas e rurais normalmente contaminam a água com nutrientes excessivos – principalmente nitrogénio e fósforo. Isso prejudica os ecossistemas subaquáticos. Mas a concentração de nutrientes varia ao longo do dia. Os laboratórios terrestres não conseguem medir as alterações em tempo real. Um laboratório debaixo da água pode ser a solução.

“Em vez de recolher uma amostra e de a analisar no laboratório, podemos deixar o sensor implantado no local durante muito tempo. Consegue tirar medidas a cada 15 minutos e recolher conjuntos de dados longos, fornecendo dados de alta resolução. O que nos permite fazer uma avaliação das tendências que não seriam visíveis se apenas recolhessemos amostras, periodicamente”, explica o investigador Alex Beaton.

Outro dispositivo, desenvolvido por outro projeto de investigação europeu, é o denominado “lab-on-a-chip” – um sistema relativamente compacto e acessível que integra várias funções de laboratório. É de fácil utilização e permite tirar medidas recorrendo a uma única ferramenta.

O lab-on-a-chip possui reagentes líquidos. Os sensores óticos detetam alterações de cor que indicam a presença de determinadas substâncias na água. Todos os produtos químicos são armazenados com segurança dentro do dispositivo.

Investigadores académicos trabalham com PMEs para melhorar vários sensores em termos de funcionalidade, custo e tamanho – como um dispositivo que mede os hidrocarbonetos na água usando a fluorescência de moléculas orgânicas.

Simplificar a fabricação é um grande desafio. Uma spin-off dinamarquesa produz microsensores de extrema precisão utilizados por investigadores de todo o mundo. Cada sensor é feito manualmente a partir de um tubo de vidro. Um trabalho meticuloso que requer precisão e paciência.

Os microsensores podem ser úteis para várias tarefas, desde análises de sangue até o controlo da poluição e das emissões de gases com efeitos estufa. Para responder a esta possível procura, os produtores de microsensores estão a trabalhar em novos métodos de produção em massa que substituem o vidro pelo plástico, aumentando a longevidade dos dispositivos, tornando-os mais resistentes e mais acessíveis.

Dos campos e quintas até o fundo do oceano, as novas tecnologias ajudam-nos a compreender o nosso complexo mundo.

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