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Novos espaços arquitetónicos com robots e plantas que comunicam entre si

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Novos espaços arquitetónicos com robots e plantas que comunicam entre si

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É possível existir uma casa erguida com uma estrutura construída através da interação entre plantas e robots? E que esse crescimento seja fomentado através de alguma impulso de sensores, luzes LED e computadores? Uma casa assim poderia demorar décadas a crescer mas equipas de biólogos, cientistas informáticos, investigadores em robótica e arquitetos já estão a trabalhar as bases de futuro.

Cientistas de um projeto de investigação europeu estudam a forma como robots e plantas podem interagir para construir estruturas arquitetónicas. Uma visão futurista de uma simbiose híbrida cujos mecanismos começam a ser compreendidos.

“As plantas são atraídas por luzes azuis. Cada pequeno robot tem seis luzes LED. Ao produzir luz azul atraem as plantas e definem o crescimento das mesmas em determinadas direções. Os robots também sentem a aproximação das plantas e depois comunicam entre eles. Um outro robot começa a emitir luz azul para atraí-las noutra direção”, sublinha Mostafa Wahby, cientista informático na Universidade de Lübeck, na Alemanha.

Heiko Hamann, coordenador do projeto Flora Robotica também na Universidade de Lübeck acrescenta: “Por outro lado, o robot é capaz de extrair dados adicionais das plantas. Ou, por exemplo, se uma planta envelhece, o robot pode subir, no caso da planta ter uma estrutura robusta, e observar tudo a partir desse ponto.”

Os investigadores querem encontrar as condições adequadas para que os robots e as plantas possam cooperar e crescer em estruturas conjuntas nas quais as pessoas consigam, eventualmente, viver.

Uma questão central é como ensinar os robots a crescer por si mesmos nestas estruturas.

“Tomamos as plantas naturais como referência. As plantas crescem em movimento em direção à luz. Queremos saber se conseguimos repetir este mesmo comportamento com os robots. Queremos que os robots se juntem, se coordenem de forma autónoma entre eles e que construam – em conjunto – estruturas direcionadas para a luz”, diz Mohammad Divband Soorati, da universidade de Lübeck.

É em Copenhaga que os arquitetos procuram encontrar formas de converter essas estruturas híbridas robot-planta em espaços para viver.

Já começaram a surgir algumas ideias.

“Estamos a trabalhar em sistemas entrançados. São um método de construção que pode permitir a continuidade. Podemos entrelaçar ou desentrelaçar e conectarmo-nos muito facilmente. Podemos passar de uma série de colunas a definir um telhado”, revela Phil Ayres, arquiteto do Centro dinamarquês para a Informação, Tecnologia e Arquitetura.

Os arquitetos analisam mesmo a possibilidade de tais estruturas poderem ser produzidas de forma economicamente eficiente.

Por essa razão estudam como moldar de modo automático padrões muito diferentes, com materiais diversos.

“A fibra de vidro pode mudar bastante a forma. Pode passar de uma forma plana a algo mais flexível”, sublinha o arquiteto Stig Anton Nielsen, da Universidade de Copenhaga

Os cientistas dizem que dentro de 20 a 30 anos, os jardins urbanos automatizados e espaços para viver baseados nestas estruturas híbridas robot-planta poderão ser uma realidade.

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