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Um dia histórico na Península da Coreia

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Um dia histórico na Península da Coreia

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Um dia diferente do habitual na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, com a chegada o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, para um encontro oficial com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in.

A chegada de Kim a Panmunjon, zonal altamente protegida, foi coroada com sorrisos e apertos de mão, num clima que, para as câmaras, se queria o mais relaxado possível. Moon Jae-in é consciente de que se trata da primeira visita do género da parte de um líder norte-coreano desde o fim da guerra, em 1953.

À chegada, Kim falou num início de uma nova fase na história da relação entre as duas Coreias:

"Estamos a escrever um novo ponto de partida, hoje, estamos numa nova história de paz, de prosperidade e de relações entre as coreias."

Até há poucas semanas, perecia impossível que, em pouco tempo, os repórters de imagem teriam a oportunidade de filmar os líderes das Coreias, juntos, numa conversa.

A retórica foi subindo de tom, não só entre as duas Coreias, mas também entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos e o Japão, por causa dos ensaios com mísseis balísticos nucleares levados a cabo por Pyongyang.

A Coreia do Norte chegou, mais do que uma vez, a lançar ameaças contra a integridade territorial dos EUA e do Japão, violando, por diversas vezes, as decições tomadas pelas Nações Unidas, e dando passo a novas fases dos testes com mísseis balísticos.

O comportamento do Governo norte-coreano, tido como rebelde pela Comunidade Internacional, nomeadamente os últimos lançamentos de mísseis sobre o Mar do Japão, valeu vários pacotes de sanções sobre Pyongyang, o que deixou a economia nacional de rastos.

Os primeiros a pagar fatura foram, como não poderia deixar de ser, os habitantes de um dos regimes mais fechados do Planeta.

O encontro acontece quando faltam apenas algumas semanas para o encontro entre o líder da Coreira do Norte, Kim Jong-un, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente dos EUA quer debater com Kim as possibilidades de pôr termo à presença de armas nucleares na Península da Coreia e ao fim do programa de desenvolvimento de armas nucleares de Pyongyang.

Um encontro para uma paz permanente

Os dois líderes debateram o fim da presença de armas nucleares na Península durante o encontro da manhã. Espera-se que assinem uma declaração de intenções conjunta, da parte da tarde.

Durante o encontro Kim disse que tinha a intenção de, fazer da visita um momento para acabar com um conflito histórico. E brincou com Moon, o presidente da Coreia do Sul, ao pedir-lhe desculpas por acordá-lo com o lançamento de mísseis balísticos nucleares.

O presidente da Coreia do Norte disse que estava disposto a visitar Seul e que gostaria que o presidente sul-coreano fosse a Pyongyag e que deveriam "encontrar-se mais vezes."

Dias antes do encontro entre os líderes das Coreias, Kim Jong-un anunciou que a Coreia do Norte iria suspender os testes com mísseis balísticos de longo alcance e que iria desmantelar as instalações onde eram levados a cabo testes nucleares.

Os críticos de Kim, no entanto, duvidam que tenha mesmo a coragem de abandonar o programa nuclear, que demorou décadas a desenvolver e que vê como necessário para impedir uma possível invasão dos EUA.

A verdadde é que duas cimeiras anteriores, realizadas no ano 2000 e em 2007, falharam os seus objetivos e Pyongyang continuou com os projetos nucleares.

Depois de um encontro de 90 minutos à porta fechada, Kim foi conduzido de volta para o norte numa limusina protegida por um grupo de guarda-costas.

Mas nem todos na Coreia do Sul estão contentes com a aproximação entre o norte e o sul. Centenas de manifestantes concentraram-se no centro de Seul para protestar contra o encontro.

Outros, marcharam para expressar o apoio a uma eventual reunificação Coreia.

A Coreia do Sul, país considerado muito desenvolvido, e a Coreia do Norte, um dos países mais pobres da região e com um dos regimes mais fechados do mundo, encontram-se, tecnicamente, em guerra. Isto porque a guerra da Coreia acabou com uma trégua e não com um tratado de paz.

O encontro teve lugar num local com importante significado para ambos os lados, a chamada Zona Desmilitarizada. Um território com 260 quilómetros de comprimento e quatro quilómetros de largura, definida em 1953, como uma zona de apaziguamento entre norte e sul.