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Imposição de taxas às importações isola EUA no G7

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Imposição de taxas às importações isola EUA no G7

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REUTERS/Ben Nelms
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O isolamento dos Estados Unidos é a nota de maior destaque no encontro deste fim de semana de ministros das Finanças, no âmbito da cimeira do "Grupo dos Sete" (G7) a decorrer entre 08 e 09 de junho, no Canadá.

Na sequência da imposição americana de taxas às importações de aço e alumínio, o secretário de Estado do Tesouro Steven Mnuchin foi o alvo de todas as críticas inclusive de vários aliados bem próximos de Washington, como o país vizinho do norte e o Japão.

À imagem da União Europeia, o Canadá apresentou mesmo uma queixa na Organização Mundial de Comércio contra a decisão unilateral de impor taxas de importação de 25 por cento sobre aço e de 10 por cento sobre o alumínio.

"Esses direitos alfandegários, impostos unilateralmente sob o pretexto de que garantem a segurança nacional dos Estados Unidos, não respeitam nem as obrigações comerciais internacionais americanas nem as regras da OMC", declarou a ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Chrystia Freeland.

A resposta a Washington do Governo de Justin Trudeau passou pela imposição de direitos alfandegários à entrada de produtos norte-americanos por uma soma semelhante de 16,6 mil milhões de dólares canadianos (11 mil milhões de euros).

Canadá e União Europeia prometem trabalhar juntos para contrapor a imposição americana.

Portugal denúncia violação das regras

O ministro português dos Negócios Estrangeiros reforçou a denúncia canadiana, alinhando Portugal também com a posição da União Europeia.

"Lamentamos profundamente. Nós, Portugal, e nós, União Europeia, lamentamos profundamente essa decisão dos Estados Unidos da América (EUA), que em primeiro lugar viola, do nosso ponto de vista, grosseiramente as regras da Organização Mundial do Comércio", disse Augusto Santos Silva, à margem de um evento no Palácio da Bolsa, no Porto.

Dias depois de apresentar um vasto programa de eventos integrados na celebração do "10 de Junho" e que vão decorrer exatamente nos Estados Unidos, o ministro português admitiu não perceber a justificação das taxas à importação com a segurança nacional americana porque "os europeus são aliados dos norte-americanos, designadamente na área chave da segurança."

Também o Presidente da República Portuguesa já havia criticado na quinta-feira a nova política comercial da administração Trump.

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a imposição de regras só "para alguns e de vez em quando", e sugeriu ao homólogo americano "pensar duas vezes" antes de tomar "medidas unilaterais que atingem o aliado".

"Quando há regras que valem para todos e sempre, não é para valerem só para alguns e de vez em quando, senão não é possível haver regras no comércio internacional", afirmou o chefe de Estado português sobre a decisão dos EUA de suspender a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da União Europeia, do Canadá e do México.

Canadá abre confronto

Em Whistler, no Canadá, onde decorreu o encontro dos ministros das Finanças do G7, titular da respetiva pasta canadiana admitiu que "em todas as relações existem momentos dificéis", mas não deixou passar a oportunidade de confrontar o homólogo americano.

"Tenho uma relação forte com o secretário Mnuchin, mas aproveitei a oportunidade para expressar com veemência a nossa opinião de que o que eles fizeram não é produtivo. E vamos continuar a faze-lo", prometeu Bill Morneau.

Além dos vizinhos da América do Norte, o G7 inclui os europeus Alemanha, França, Itália e Reino Unido, e o asiático Japão.

A União Europeia, com o português Mário Centeno entre os representantes da zona euro, as Nações Unidas, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) também estão presentes.

Após este encontro dos ministros das finanças, a cimeira de líderes do G7 decorre entre os dias 08 e 09 de junho, em La Mabaie, na região canadiana de Charlevoix, no Quebec.