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Agricultores neerlandeses estão nervosos com reformas verdes

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De  Gregoire Lory
Os agricultores estão desconfortáveis com planos do governo neerlandês
Os agricultores estão desconfortáveis com planos do governo neerlandês   -   Direitos de autor  AP Photo/Mike Corder/ Arquivo

À semelhança de outros produtores e agricultores holandeses, Jan Arie Koorevaar vive tempos difíceis.

O produtor de leite está arrasado com o plano do governo, apresentado no início de junho, para reduzir em 50%, até 2030, as emissões de azoto e amoníaco. O objetivo é combater as alterações climáticas.

Com uma exploração com 120 vacas e 95 hectares, Jan Arie Koorevaar não sabe o que fazer.

"A minha exploração está a voltar-se para a agricultura orgânica. Então poderia dizer-se: sim, estão a fazer tudo bem. Mas ainda assim tenho grandes dúvidas. Não sei se foi suficiente. Penso que fiz coisas boas, mas não sei se isso é suficiente. Todos os agricultores estão atualmente sem saber se fizeram o suficiente ou não", sublinhou Koorevaar, em entrevista à Euronews.

Com 53 mil explorações e uma produção intensiva, os Países Baixos são o segundo exportador agrícola mundial. 10% da atividade económica nacional depende deste setor.

Se o plano do governo for aplicado à risca, as explorações terão de reduzir as emissões em 70%, ou até mais, de acordo com algumas estimativas.

Dito de outra forma, pode ser o fim da linha para alguns agricultores que terão que reduzir o volume de gado, um dos grandes emissores de nitrogénio, por causa do estrume e fertilizantes artificiais usados.

"Neste momento, todos os agricultores podem enfrentar a expropriação. Essa é uma situação estúpida. Não estão a olhar para mim. Estão a contemplar uma redução total de nitrogénio e um algoritmo determina um mapa que diz: Jan Arie terá de reduzir 47% e outro agricultor 70% e outro 95%", lembrou Jan Arie Koorevaar.

Nas últimas semanas multiplicaram-se as manifestações contra o plano do governo e registaram-se confrontos com a polícia.

O principal sindicato agrícola, LTO, distanciou-se, mas contesta o plano do governo.

"O governo tem metas que não são realistas. 50% de redução até 2030 vai afetar o futuro da agricultura nos Países Baixos, mas o futuro social, económico e cultural do campo holandês também", ressalvou o porta-voz do sindicato LTO, Wytse Sonnema.

Há receios de que este plano possa ser o prenúncio de outros anúncios de redução de emissões em diferentes setores como a aviação, transportes ou construção de estradas.