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Plácido Domingo é barítono em "Simon Boccanegra"


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Plácido Domingo é barítono em "Simon Boccanegra"

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Plácido Domingo cantou como barítono em “Simon Boccanegra”, ópera de Verdi apresentada na Royal Opera House, em Londres.

O espanhol cantou a mesma parte que no La Scala de Milão, em Abril, mês em que regressou aos palcos após uma cirurgia para retirar um pólipo maligno do cólon.

Plácido Domingo fez de Doge de Génova: “Toda a vida, ele gerou este tipo de excitação juvenil, ao ser o herói, o amante, o artista e, depois, o Boccanegra aparece como um governante muito maduro”.

Cinquenta anos de palco permitiram a Plácido Domingo coleccionar experiências memoráveis, como aquela em que interpretou um jovem que tentava descer do primeiro andar com uma corda, para se juntar à amante. “Eu calculei mal e não apanhei a corda, mas fiquei pendurado numa barra de metal. Fui forte, mas, como não estava habituado a estar assim pendurado, em vez de efectuar uma entrada impetuosa com a corda, disse apenas: ‘Ponham-me no chão’”.

Domingo adora passar os conhecimentos e a experiência às gerações mais jovens. De forma incessante, apoia novos talentos. Por isso mesmo fundou a competição operalia, em que dirige os candidatos ao longo do concurso.

“É fantástico sentir quanto talento ali há e quanto podemos fazer para ajudá-los, para guiá-los; e ser positivo e capaz de lhes passar o que aprendi das gerações anteriores”, afirma o cantor.

O cancro que lhe foi diagnosticado no início do ano tornou o cantor mais introspectivo. Plácido Domingo passou a valorizar ainda mais a família, em especial os netos: “Quero vê-los crescer. Quero ajudá-los se, como tudo indica, alguns deles vierem a cantar. Portanto, é fantástico poder fazê-lo e ter saúde. Precisamos disso para vermos crescer os nossos netos. Isso é o mais importante”.

Depois da cirurgia, Plácido Domingo estava ansioso por regressar aos palcos. Ele que continua a dirigir, a ensinar e a ser administrador de ópera. A reforma nem lhe passa pela cabeça: “Não tenho nenhuma pressa para reformar-me. Esta é uma profissão tão gratificante, que temos o privilégio de dar paz às pessoas, de tocar as suas almas… Porque deveria parar? É paixão. Tudo o que se faz na vida, tem de ser feito com paixão”.

As peças usadas nesta reportagem são “Simon Boccanegra” de Giuseppe Verdi e “Sansão e Dalila” de Camille Saint-Saëns.

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Bónus da entrevista: Valery Gergiev