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Andrus Ansip: "O euro vai fomentar as exportações e atrair mais investimento estrangeiro"

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Andrus Ansip: "O euro vai fomentar as exportações e atrair mais investimento estrangeiro"

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Andrus Ansip é primeiro-ministro da Estónia. Desde 2007 está à frente de um governo de coligação entre conservadores e liberais. Ansip, membro do Partido Reformador, de centro direita e tendência liberal, conseguiu dirigir a Estónia através da difícil crise financeira global até a um porto seguro e a adesão à zona euro.

Actualmente, há 16 países que usam o euro. A partir do próximo mês de Janeiro, a Estónia vai aderir à moeda única, tornando-se no 17° membro da euro zona.

O primeiro-ministro respondeu às perguntas do jornalista da euronews, Hans von der Brelie, na sede do governo em Tallinn.

Hans von der Brelie, euronews: Vai aderir em breve ao euro, enquanto outros países da Europa Central e do Leste tentam adiar a introdução da moeda única. Porquê essa correria rumo à nova moeda?

Andrus Ansip, primeiro-ministro da Estónia: Acreditamos aqui, na Estónia, que o euro vai definitivamente fomentar o comércio com outros Estados membros. Setenta por cento das nossas exportações são para países membros da União Europeia e o euro vai apoiar este comércio. O euro vai tornar a Estónia ainda mais atractiva para o investimento estrangeiro. Setenta por cento de todo o investimento estrangeiro na economia estoniana é feito por países vizinhos, como a Suécia e a Finlândia. Os investidores desses países não têm tanta confiança nas pequenas unidades monetárias nacionais. Eles confiam mais no euro, enquanto moeda forte.

euronews: Para preparar o país para que fosse capaz de aderir à moeda única foi obrigado a aplicar medidas económicas bastante duras. Mas quando olhamos para o país vemos que vinte por cento da população é muito pobre. Não é um preço demasiado elevado a pagar pela moeda única?

A. Ansip: Temos de avançar de qualquer maneira com a política fiscal conservadora. Preço demasiado alto? As pessoas têm de pagar se o défice for muito elevado, porque o preço do crédito é elevado para os países como a Grécia, cujo défice é elevado. A Estónia estava bem preparada para a crise financeira internacional. Durante os anos de vacas gordas conseguimos fazer reservas extraordinárias. Usámo-las para pagar a dívida pública e hoje, o nosso governo ainda tem de reserva dez por cento do PIB. Além disso o nível da dívida pública da Estónia é um dos mais baixos da União Europeia: apenas 7.2 por cento.

euronews: Ao olhar para a cidade, logo do outro lado, temos um vizinho, um vizinho da União Europeia que é a Rússia. A União Europeia está a ter algumas dificuldades para definir uma política clara face à Rússia. Qual é a contribuição estoniana? Que género de relações é que a União Europeia deveria ter com a Rússia?

A. Ansip: Claro, a Rússia quer a abolição do regime de vistos com toda a União Europeia. Mas em primeiro lugar, tem de respeitar certos critérios….

euronews: Quais?

A. Ansip: Tem de receber de volta todas aquelas pessoas que costumavam viajar ilegalmente para o estrangeiro. Tem de dar um passaporte a todos os cidadãos. Hoje, nem todos os cidadãos russos têm um passaporte para viajar e, claro, penso que não é normal que os cidadãos da União Europeia se tenham de registar nas cidades russas quando viajam na Rússia.

euronews: Aproximadamente um terço da população da Estónia é russófona. Porque é que não decretar o russo como segunda língua oficial? Isso iria acabar com as tensões, porque hoje vemos algumas fricções na Estónia entre as comunidades de língua russa e de língua estoniana.

A. Ansip: A nossa língua oficial é o estoniano e todos têm de apreender a linguagem estoniana aqui na Estónia.

euronews: Ao falar com estonianos ou com habitantes de língua russa na Estónia, ouvi algumas críticas bastante duras. As pessoas dizem que vivem numa espécie de “sistema de apartheid”…

A. Ansip: Não penso que seja realmente verdade…

euronews: Porque não? Os russófonos dizem: temos problemas para conseguir emprego, temos dificuldades para obter um passaporte…!

A. Ansip: Bem, durante a crise, não penso que tenha sido fácil encontrar um novo emprego. Em Londres, Nova Iorque, Pequim: foi difícil em todo o lado, tal como foi difícil aqui na Estónia.