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Mahmmoud Abbas: "não estamos envolvidos nos problemas sírios; não nos misturamos"

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Mahmmoud Abbas: "não estamos envolvidos nos problemas sírios; não nos misturamos"

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Um reconhecimento internacional da Palestina como estado para pressionar Israel: é esta a estratégia do presidente Mahmoud Abbas. Israel e os Estados Unidos não aceitam e votaram contra a admissão dos palestinianos na UNESCO. Abbas não se deixa impressionar e foi a Bruxelas defender a causa.

Charles Salamé, euronews – Antes de tudo, peço-lhe um comentário à adesão da Autoridade Palestiniana à UNESCO.

Mahmmoud Abbas – A adesão da Palestina à UNESCO representa muito, política e moralmente, porque pedimos ao Conselho de Segurança que a Palestina seja membro da ONU e o nosso pedido mantém. E, desejámos fazer parte da UNESCO porque é uma organização muito importante, em relação com as populações do mundo inteiro.

euronews – Os Estados Unidos suspenderam a participação financeira na UNESCO.

Mahmud Abbas – A razão pela que os Estados Unidos estavam contra a nossa adesão não foi convincente. Qual era? Disseram que depois de 1989, existe uma lei no Congresso norte-americano que proibe o país de participar no financiamento das organizações que lidam com o terrorismo. Respondemos que não nos consideramos terroristas e, se nos podiam atribuir a qualificação, há 22 anos, agora já não podem.

A prova é que a Autoridade Palestiniana tem relações políticas e económicas com os Estados Unidos, membro da comissão quadripartida, ainda que digam que se trata de uma antiga lei que não podem mudar. Esta postura não se justifica. É ilógico romperem as relações com um motivo irreal.

euronews – E como está o diálogo com o Hamas neste momento, senhor presidente?

Mahmud Abbas – Há um mês, reuni com Jaled Machaal, e estabelecemos as bases para um eventual acordo. O Hamas juntou-se a nós nos seguintes pontos:

Primeiro, a calma e a pacificação devem ser estabelecidas na Gaza e na Cisjordânia; segundo, a resistência deve ser popular, feita através do diálogo e sem recurso às armas e, fomos totalmente francos neste ponto; terceiro, o fim da solução é o restabelecimento das fronteiras de1967 e o Hamas aceitou; e, por último, há que organizar eleições legislativas a 5 de maio de 2012.

Sobre estes pontos, é necessário encetar um estudo a18 de dezembro sobre uma importante questão da OLP: como é que todas as fações palestinianas podem participar na OLP, que conta com uns estatutos e compromissos. Os movimentos que quiserem fazer parte têm de aceitar e respeitar os compromissos da OLP e é o que vai discutir-se a 18, 20 e 21 de dezembro, no Cairo”.

euronews: Israel vai libertar os prisioneiros palestinianos no domingo, o que espera depois?

Mahmud Abbas – O que passou é que o soldado Chalit foi sequestrado e as negociações para a libertação durararam cinco anos. Houve um acordo entre o Hamas e Israel, mediado pelos egípcios. Os alemães intervieram para estabelecer o n° dos intercâmbios de prisioneiros, com 1.027 da primeira vez e os outros a seguir.

Mas consegui um acordo com o ex-primeiro ministro israelita, Ehud Olmert: quando Chalit fosse libertado, Israel deliberaria tantos prisioneiros da Autoridade Palestiniana como do Hamas.

O actual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, recusou. Até o presidente norte-americano Barack Obama, há um ano me disse que ia falar com Netanyahu sobre a questão e informou a discussão tinha sido aceite. E, depois, foi tudo esquecido. A questão dos prisioneiros não se resolve pela boa vontade, mas com negociações ou pressões de uma e outra parte.

euronews – Há uma questão que se impõe agora sobre a situação na região, e no Médio Oriente, sobre o que se passa na Síria. Qual é o impacto sobre Palestina?

Mahmud Abbas – O ponto de vista oficial é que não estamos envolvidos. Não nos misturamos, apesar de demonstrar respeito pela vontade das populações, aprovámos as reclamações. Mas observamos sem intervir, seja na Tunísia, no Egipto ou na Síria. Observamos , simplesmente, os acontecimentos sírios e, sem dúvida, lamentamos as vítimas e os mortos nos incidentes e confrontos.

euronews – Esteve com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris e o presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy, em Bruxelas. E a Islândia acaba de reconhecer o Estado palestiniano e as fronteiras de 1967.

Mahmud Abbas: Somos um povo sob ocupação, reclamamos a independência, acreditamos na paz, na legitimidade internacional. Praticamos a cultura da paz, dispomos de instituições completas. Temos tido relatórios positivos do Banco Central Internacional, FMI, e dos países doadores, que reconhecem que as nossas contas são transparentes. Algo que não se encontra em muitos países. O que nos falta, o problema principal, é Israel recusa e os Estados Unido aprovam a recusa. Negociamos continuamente para os convencer que a paz não é apenas no interesse dos palestinianos, mas também no dos israelitas e no de toda a região e a nível internacional. Por tanto, há que pressionar quem recusa e impede a paz. Esta é nossa posição e, francamente, diga-me onde está o meu erro. Poderia corrigi-lo se houvesse. Mas ninguém o detetou até agora.