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Os sonhos dos jovens ciganos europeus


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Os sonhos dos jovens ciganos europeus

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Na vila de Moldava nad Bodvou, no leste da Eslováquia, um grupo de jovens ciganos trabalha com afinco para preparar um espetáculo.

A cantora checa de origem cigana, Ida Kelarova, ensina os jovens a cantar e a tocar guitarra.

É um dos últimos ensaios, antes de um grande concerto, em Bruxelas, organizado pela Fundação Yehudi Menuhin com o apoio da Comissão Europeia.

“Estou deserto para ir a Bruxelas. Vamos mostrar teatro, dança e canto, tudo que aprendemos com a Ida”, diz Lukás Hudák, um dos participantes.

Lukás tem muitos irmãos e já tem um filho mas graças às atividades artísticas ganhou ânimo para continuar na escola.

“Em 2007, deixei a escola. Depois ouvi falar do centro comunitário e encontrei a mãe Irma. Ela ajudou-me e incentivou-me a não desistir da escola e a continuar a aprender. Por isso, hoje vou à escola todos os dias”, conta Lukás.

A arte é uma forma poderosa de aproximar pessoas que vivem de costas voltadas e permite o diálogo entre as minorias e o resto da sociedade.

Calcula-se que haja entre 10 e 12 milhões de ciganos na Europa. Nalguns países de Leste, o povo Roma, outra denominação para cigano, representa sete a dez por cento da população.

Em certas regiões da Eslováquia, a maioria dos ciganos fala apenas húngaro e romani, o que dificulta a integração na sociedade e no mercado de trabalho.

“Tenho trabalhado muito com crianças ciganas e elas têm talento. Nao são envergonhadas nem têm complexos porque cresceram de forma livre. Não foram pressionadas para conseguir ou aprender algo e por isso são abertas. Se apoiarmos esse talento podemos ter resultados rapidamente”, afirma Ida Kelarova.

Ida Kelarova é filha de pai cigano e mãe checa. Dedica-se há vários anos a ensinar música aos jovens ciganos da Europa de Leste.

O sonho de Karol Horváth é ser cineasta. O jovem de 19 anos, já realizou vários filmes sobre a vida dos ciganos no leste da Eslováquia.

“Estudo mecânica automóvel numa escola secundária. Estou no segundo ano mas não gosto do curso. O meu sonho é estudar numa escola de cinema”.

Karol é apoiado pela mãe, a líder da comunidade cigana. Irma Hórváthóva nasceu no mesmo bairro pobre de Moldava Nad Bodvou mas estudou, mudou-se para um apartamento no centro da vila e trabalha como assistente social.

Karol Horváth tem ambições: “Nos próximos três anos, imagino-me a entrar na escola de cinema. Depois, terei um bom trabalho na indústria cinematográfica e serei respeitado pelas pessoas”.

Graças ao apoio da mãe, Karol tem uma vida mais fácil e sente-se integrado na sociedade:

“Tenho orgulho em ser cigano e também me sinto húngaro. E quando oiço falar da Europa ou de assuntos europeus na televisão fico entusiasmado porque eu vivo na Europa!”.

A mãe de Karol não cuida apenas dos próprios filhos. Para os jovens ciganos, ela é a “Mãe Irma”.

Com a ajuda da Associação ETP Slovakia, Irma criou um centro comunitário no bairro.

“As atividades do centro são muito enriquecedoras porque de outro modo, os jovens não teriam nada para fazer. Ficariam sentados em casa ou seguiriam um caminho errado na vida. As atividades do centro são muito importantes para eles”, afirma Irma Hórváthóva.

Irma criou um grupo de teatro chamado “Slumdog theatre”. Os jovens ensaiam atualmente uma peça de cariz auto-biográfico que vai ser apresentada em Bruxelas. A peça retrata a vida de um rapaz que consome drogas e já foi representada várias vezes na Eslováquia. Em breve irá, pela primeira vez, ultrapassar as fronteiras nacionais. Os atores de Moldava Nad Bodvou sobem ao palco em Bruxelas, no dia 18 de Abril.

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