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Rehn: "A Grécia vai estar no euro no próximo ano

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Rehn: "A Grécia vai estar no euro no próximo ano

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O finlandês Olli Rehn, é atualmente um dos dois comissários encarregues dos assuntos económicos e financeiros da União Europeia, uma tarefa complicada se consideramos o cenário que enfrenta desde que tomou posse.

Com a União e o euro a entrarem por territórios desconhecidos, com a crise política grega, uma viragem à esquerda em França e fraturas cada vez mais profundas na economia espanhola, a tempestade parece iminente. Á euronews o vice-presidente da Comissão traça o plano para a retoma.

Comissário Rehn, a política económica que propôs aqui em Bruxelas e que Berlim propõe parece ter sido rejeitada este mês pelos eleitores em França e na Grécia. Pensa que está na altura de mudar?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Penso que, neste momento, é importante conseguir combinar consolidação fiscal e crescimento sustentável na Europa”

EN:“O que quer dizer precisamente com crescimento? O crescimento é como a paz no mundo: Toda a gente quer, mas o que quer dizer exatamente com isso?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Esse é precisamente o problema no debate que mantemos atualmente. Por isso temos de dar mais substância aos argumentos e explicar às pessoas como é que o crescimento vai surgir. A nossa perspetiva é que temos de continuar com a consolidação fiscal porque não podemos crescer acumulando dívida sobre a que já temos”.

EN: Então é mais austeridade, não é?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Se me escutar, eu digo-lhe. Primeiro temos de manter o curso de consolidação fiscal e, paralelamente temos de reforçar as ações no campo do investimento para estimular tanto o investimento público como o privado”.

EN: E como é que isso se faz?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Em primeiro lugar é preciso criar confiança na economia, o que significa que temos de resolver a crise da dívida soberana e mitigar as fragilidades do setor bancário para que o crédito volte a circular na economia. Paralelamente, podemos utilizar os bancos públicos e de investimento, como o Banco Europeu de Investimento porque temos de estimular o investimento privado na Europa, onde há muito dinheiro privado, mas que não está a ser investido”.

EN: Mas muitos comentadores dizem que isso é só um ajuste na receita atual…

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Não entendo como pode dizer que é um pequeno ajuste. Se colocarmos 10 mil milhões de euros no banco de investimento, o banco pode emprestar 60 mil milhões e com a alavancagem, falamos de 180 mil milhões de euros para investimentos em infraestruturas, inovação e energias limpas na Europa. Não penso que isso seja insignificante, pelo contrário”.

EN: O que é que a Grécia tem de fazer para continuar no euro?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Falando da Grécia. Para a Grécia é importante que o país seja capaz, e os líderes políticos sejam capazes de formar um governo de coligação”.

EN: Mas não parece que isso vá acontecer….

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“(A coligação) tem de conseguir retirar o país da difícil situação que atravessa atualmente. E tem de apoiar o crescimento e políticas de crescimento do emprego para além das reformas económicas e do ajuste fiscal”.

EN: E se não for possível formar uma coligação, o que é que vai acontecer?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Não vamos especular sobre cenários que ainda não aconteceram. Tenho confiança que os líderes políticos gregos vão entender a gravidade da situação e tentar formar um governo de coligação em breve”.

EN: Seria um desastre se a Grécia abandonasse agora o euro?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Não quero especular sobre a questão de uma eventual saída da Grécia do euro. Não quero pintar um cenário diabólico se não for necessário. Neste momento é mais importante ser determinado, especialmente na Grécia, de maneira a formar uma coligação governamental e uma forma convincente de atacar os desafios económicos do país”.

EN: O presidente da Comissão, Durão Barroso falou do facto do pacto fiscal ser inteligente e adaptável. Isso significa menos sofrimento para Espanha?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“A Espanha tem grandes desafios económicos, em grande parte por causa do que desequilíbrio acumulado nas contas externas por causa do boom do crédito na última década e da bolha imobiliária que explodiu. Inevitavelmente será necessário algum tempo para concluir o ajustamento”.

EN: “Vai ter o ano que precisa para baixar o défice?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“Penso que isso, com o devido respeito, é uma forma muito simplista de colocar os desafios que a Espanha enfrente e que são de especialmente de duas ordens, ou mesmo três. A primeira é, claramente, o nível de desemprego, especialmente o jovem. O país está a enfrentar isso atualmente com uma reforma substancial do mercado de trabalho que está muito atrasada. A segunda, de que tanto o governo como o país pouco falam, é tomar uma decisão sobre a reforma do setor das poupanças bancárias, que é essencial para reconquistar a confiança no sistema bancário espanhol, e por o crédito a circular novamente. Em terceiro lugar, as necessidades excessivas dos governos regionais têm de ser refreadas. Portanto, a Espanha tem de concertrar-se nestas três coisas de forma a reconquistar a confiança e melhorar a credibilidade da economia e da sua política fiscal, que são essenciais para voltar a crescer”.

EN: Ultima questão: A Grécia vai estar no euro no próximo ano?

Oli Rehn, vice presidente da Comissão Europeia:
“A Grécia vais estar no euro no próximo ano. Obviamente é essencial que a Grécia tenha a capacidade de tomar as decisões necessárias para cumprir com as condições do segundo programa de reformas económicas e fiscais. Isso exige uma melhor estabilidade política e uma coligação funcional que tenha o apoio da maioria do parlamento grego”.