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Referendo: Irlandeses indecisos sobre pacto orçamental da UE

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De  Euronews
Referendo: Irlandeses indecisos sobre pacto orçamental da UE

<p>Os irlandeses são chamados, esta quinta-feira, a votarem em mais um referendo sobre o papel da União Europeia nos destinos do país. Em causa está o tratado do pacto orçamental, numa altura em que a Irlanda está a meio do programa de resgate concedido por Bruxelas e pelo <span class="caps">FMI</span>.</p> <p>O tratado implica regras muitos apertadas sobre dívida e défice permitidos ao governo, mas também o acesso a novos pacotes de ajuda no futuro. <br /> As sondagens apontam para 30% de indecisos e a euronews ouviu alguns dos habitantes de Dublin.</p> <p>“Não sei se vou votar “sim” ou “não” porque os próprios economistas, que são peritos no assunto, também parecem não saber. Analisei ambas as posições e vi muito desacordo em cada um dos lados, pelo que ainda estou em cima do muro”, foi a opinião de uma traseunte.</p> <p>“Vou votar “sim” porque o governo disse-nos que é a melhor coisa a fazer, que se estivermos em apuros seremos capazes de obter outro resgate e serão transferidas mais tranches de ajuda. Se a situação não ficar entretanto mais estável, vamos ficar em apuros”, disse o dono de um pub.</p> <p>“Vou votar “não” porque há muitas mentiras a serem ditas por ambas as partes”, afirmou outra irlandesa.</p> <p>A enviada da euronews a Dublin, Fariba Mavaddat, entrevistou o primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny, começando por perguntar se tem um plano B, caso a população vote claramente contra o tratado.</p> <p>Enda Kenny/primeiro-ministro da Irlanda (EK/PM Irlanda): “Não espero que as pessoas digam não. O povo irlandês sempre foi muito pragmático àcerca das questões europeias. O país tem uma longa história de realização de referendos sobre tratados europeus. O povo irlandês tem capacidade para decidir sobre este tipo de questões.”</p> <p>Fariba Mavaddat/euronews (FM/euronews): “Existem muitas dúvidas sobre o que realmente está em causa. Falei com as pessoas na rua e muitas delas não sabem do que trata o referendo e não pretendem votar”</p> <p>EK/PM Irlanda: “O povo da Irlanda tem três razões muito boas para votar. Uma é óbvia: os investidores apreciam a estabilidade, clareza e capacidade de decisão. Gostam que de metas para as quais possam efectuar planos. E vamos poder criar milhares de empregos com base nesse tipo de investimento ao longo dos anos. Em segundo lugar, a Irlanda terá acesso a um mecanismo de resgate europeu permamente que é o <span class="caps">MES</span> (Mecanismo Europeu de Estabilidade), uma espécie de apólice de seguro. O tratado é muito claro: os países que ratificarem vão poder aceder, os países que não o ratificarem não vão ter acesso. O povo irlandês tem pleno conhecimento disso. Em terceiro lugar, e ainda mais importante, é óbvia a necessidade de maior regulação àcerca das políticas orçamentais dos governos de cada um dos estados-membro.”</p> <p>FM/euronews: “Disse que as pessoas devem dizer “sim” neste referendo e depois vai dicutir com elas os pormenores. Como podem dizer sim a algo que desconhecem?”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Os detalhes do tratado são explicados por aqueles que apoiam o sim e também por uma comissão independente que responde factualmente a todas as dúvidas colocadas pelos cidadãos.”</p> <p>FM/euronews: “Na prática está a submeter a independência e soberania da Irlanda às decisões tomadas coletivamente pela UE como um todo. Ou seja, as decisões políticas sobre a Irlanda passam a ser tomadas em Bruxelas.”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Nem a Irlanda nem qualquer outro país-membro tem poder de veto sobre este assunto. Quando 12 países aprovarem e ratificarem o tratado, ele entra em vigor. Em segundo lugar, a economia da Irlanda começou a crescer pela primeira vez em muitos anos. As projeções de crescimento para este ano são de 0,7%, para 2013 são de 2%, e no ano seguinte de 3%.”</p> <p>FM/euronews: “Porque vão adotar o tratado, por um tão alto preço, se estão no bom caminho?”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Porque estamos sob um programa de ajuste. E porque devido às circunstâncias, que surgiram há alguns anos, a Irlanda teve se sujeitar a esse programa. Já tivémos seis avaliações da troika, muito intensas e detalhadas, e o país passou sempre esses exames.”</p> <p>FM/euronews: “Então porque é que introduzem medidas de austeridade?”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Este país tem em falta 15 mil milhões de euros. Por outras palavras, gastámos 15 mil milhões de euros que não tínhamos e a Europa não vai resolver os problemas por nós. Como governo, temos de encontrar a solução.”</p> <p>FM/euronews: “Iria em frente com o tratado se o não ganhasse no referendo?”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Haverá apenas uma oportunidade para votar o tratado, que é a 31 de maio. O tratado diz que o país deve ratificá-lo de acordo com os procedimentos legais. No nosso caso, o procedimento é o referendo do povo.</p> <p>FM/euronews: “E se eles disserem não?”</p> <p>EK/PM Irlanda: “Se disserem não, então dizem não, mas não é iso que espero. Não haverá segunda oportunidade. O tratado tem de ser ratificado de acordo com o procedimento legal antes do fim de 2012. Esta é uma oportunidade única para o povo irlandês. Espero que digam um “sim” bem sonoro porque dele depende o futuro dos seus filhos e do país”.</p>