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O Romney de quem tudo se pode esperar

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O Romney de quem tudo se pode esperar

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Que pensar de Mitt Romney, o homem que pode vencer Obama na Corrida à Casa Branca?

Em Washington, está Charles Kupchan, Professor de Relações Internacionais na Universidade de Georgetown.

Há umas semanas, apenas, as sondagens não davam qualquer qualquer possibilidade para Romney chegar à Casa Branca. Como conseguiu ele dar um impulso tão grande â candidatura em tão pouco tempo?

Charles Kupchan – Acho que se deram três fatores importantes que situaram bem Romney na corrida pela presidência:

O primeiro foi a nomeação de Paul Ryan como parceiro de equipa, graças a quem conseguiu conquistar as bases do Partido que começaram a dar mais dinheiro e beneficiaram a candidatura.

O segundo fator foi o primeiro debate. Acho que, precisamente por ter sido ineficaz, a campanha de Romney dava a imagem de alguém incompetente e, de um momento para o outro, demonstrou uma capacidade desconhecida até ao momento.

Por último, acho que o terceiro fator foi o conjunto dos dois últimos debates. Quando Romney se mostrou mais moderado, mais ao centro do que no início da camanha.
Creio que o fez para atrair o voto dos centristas, determinante para o resultado final.
muitos deles vivem nos chamados Swing States, os Estados indecisos, que são cruciais nas eleições.

euronews – Quem é realmente Mitt Romney? Se chegar à Casa Branca, veremos o moderado ex-governador do Massachussets ou ou candidato que nomeou o radical Paul Ryan como número dois?

CK – É difícil responder a essa pergunta pois ninguém sabe.
Mas se quer saber a minha opinião,no que se refere à economia, a tendência será para a direita, ou seja, reduzirá os impostos e o tamanho do governo porque, para ele, o governo é o problema.

Em termos de política social, acho que se vai comportar como um centrista. Não se vai meter em grande batalhas contra o aborto, a imigração, as armas ou o casamento homossexual, não acho que o faça.

E finalmente, no que se refere a política externa, pode ser que tente seguir a linha de George Bush filho, de um modo unilateral deve aumentar o orçamento de defesa.

Mas não acho que possa o fazer porque terá muita pressão de outros países e também desde seu próprio partido que não quer um aumento do orçamento de defesa já que quer ver a despesa do governo reduzido.

euronews – A bipolarização do Capitólio reflete-se na opinião dos norte-americanos? Os Media dos Estados Unidos também falam dessa confrontação de opiniões mas, essa é realmente a opinião do eleitorado?

CK – Na minha opinião o país está bastante bipolarizado como nunca se viu desde o séc. XIX. Nem mesmo durante o pós II Guerra Mundial o sistema política estva tão dividido entre republicanos e Democratas, e o que é interessante é que não acontece apenas na política interna mas na diplomacia, nos Negócios Estrangeiros. Penso que esta parte do problema e a razão de ser tão intenso tem a ver com a economia.
A classe média americana tem sofrido de estagnação por vagas em grande parte das últimas duas décadas.
Os Estados Unidos, atualmente, constituem um dos países com mais desigualdades no mundo, como só tínhamos visto nos anos 30.
Assim, a questão primordial para o próximo presidente é como dar algum fôlego à economia, para a classe média se reerguer.
Esta é a condição prévia para tentar minimizar essas desigualdades profundas. É necessário colocarem-se todos ao centro e tentarem uma espécie de coligação no Congresso, independentemetne do presidente ser republicano ou democrata.