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Tratado do Eliseu criou, há 50 anos, pilares do eixo franco-alemão

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Tratado do Eliseu criou, há 50 anos, pilares do eixo franco-alemão

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O Tratado do Eliseu, assinado há 50 anos, é um marco da amizade franco-alemã e foi assinado na cidade francesa de Reims, tendo como protagonistas o presidente francês Charles de Gaulle e o chanceler alemão Konrad Adenauer.

No colégio Notre-Dame, em Reims, a euronews foi ver como os alunos recordam este selo de paz, que chegou quase duas décadas depois da segunda guerra mundial.

“Fiz um bordado no meu cartaz para mostrar que a construção da amizade franco-alemã leva muito tempo, tal como fazer um bordado. É algo que não se constrói num estalar de dedos”, explica a estudante Agathe sobre a sua contribuição para um concurso de cartazes.

Mas apesar dos esforços institucionais, tanto para estudantes franceses como alemãs, as línguas estrangeiras preferidas são inglês e espanhol.

A professora de alemão, Sylvette Ramirez de la Rosa explica que “as gerações mais velhas alimentam preconceitos que ainda está presentes. É por isso que tento ensinar de forma dinâmica, entusiasta, para tentar apagar esta imagem que as pessoas têm da língua alemã como muito dura, muito difícil. Partimos do princípio de que é fácil”.

A amizade franco-alemã é também alimentada pela geminação de cidades. Reims é gémea da cidade alemã Aachen, mas a que os franceses chamam Aix-La-Chapelle.

A presidente do comité de geminação, Catherine Delot, explica que “visita a cidade desde os 10 anos e mantém os contactos desse tempo. Penso que isso é o que dá a força à geminação porque se está próximo do terreno, o que nem sempre é feito pelos políticos”.

A guia turística alemã Sonja Thuaire visita França há 41 anos e não se surpreende com uma certa tensão que se vive atualmente entre os dois países, sobretudo para se entenderem a nível financeiro.

“Eu acho que tem a ver com a crise. Na Alemanha, gostaríamos que todos dançassem ao som da música tocada pelos alemães”, refere.

Aprender com a experiência

Para debater como se encontra o eixo franco-alemão a nível político, o correspondente da euronews, Rudolph Herbert, falou com Joachim Bitterlich, conselheiro do ex-chanceler alemão Helmut Kohl; e com Henri Ménudier, cientista político na Universidade da Sorbonne, perito em assuntos germânicos e relações franco-alemãs.

“Devemos celebrar os momentos históricos. A Europa de hoje ultrapassou barreiras importantes e avançamos lentamente em temas cruciais da soberania nacional. Basta pensar na lei do orçamento, nas leis de política externa e de segurança, etc. Portanto, penso que, por um lado, é importante reavaliar as instituições à luz da experiência adquirida. Por outro, devemos fazer um uso mais forte das conquistas obtidas, das mudanças implementadas”, disse Joachim Bitterlich.

Sobre a criação da União Monetária Europeia, que hoje se revela muito frágil e em risco, Henri Ménudier diz que: “infelizmente não progredimos de forma suficientemente rápida! Foi uma boa ideia criar a união monetária, mas teria sido necessária uma melhor coordenação ao nível económico. A crise atual tem-nos abalado, mas tenho a impressão de já começámos a sair um pouco desta crise”.